Dicas para Treinar Voluntários

Antes de me tornar uma mãe Son-Rise, costumava trabalhar como professor e treinadora, por isso não é de estranhar que Treinar Voluntários seja um aspeto do Programa Son-Rise que me agrada. Aqui ficam algumas dicas que posso partilhar de treinar voluntários nos últimos 6 anos.
Fazer um plano de treino. Não há um caminho padrão para treinar os voluntários, vocês podem encontrar o caminho que funciona melhor com a vossa família, conjugando com o tempo que precisam para cozinhar, arrumar a casa ou se têm outro filho para tomar conta. Embora cada voluntário seja diferente, eu gosto de ter um plano para seguir e despender o tempo necessário numa categoria que a pessoa precise. Este foi o meu plano de treino para o programa Son-Rise do meu filho.
Dia 1: (1h30m, enquanto alguém está com o meu filho)
Apresento aos voluntários o vídeos sobre o The Son-Rise Program (Uso alguns pequenos vídeos do Autism Solution DVD ou do Breakthrough Strategies DVD) e o The Option Process® que são a base do The Son-Rise Program, e aí apresento os princípios do The Son-Rise Program e como eu gostaria que a nossa relação e a relação deles com o meu filho fosse baseada no amor, aceitação e não julgamento.
Dia 2: (1h30m, enquanto alguém está com o meu filho)
Introduzo aos voluntários os termos básicos como os “ismos”(isms), o “juntar-se”(joining), o “construir”(building), o “celebrar”(celebrating), etc, para que quando comecemos a por mãos ao trabalho eles percebam do que eu estou a falar. Há imensos vídeos que vos podem apoiar nisto:  Breakthrough Strategies, Autism Solution ou qualquer vídeos que tenham de vocês a brincar com o vosso filho ou de um facilitador ou professor do The Son-Rise Program durante um Outreach Program.
Day 3: (2 horas, enquanto está uma pessoa à espera para estar com o meu filho)
Primeira Sessão de Playroom: Mostrar o video sobre “juntar-se”(joining) do DVD Autism Solution. Depois, demonstrar o “juntar-se” com a criança no playroom durante 5 a 10 minutos (…) e deixar os voluntários “juntarem-se” durante 15 minutos enquanto eu tiro as minhas notas. Quando dou o feedback, certifico-me de o meu filho ficou com alguém, ou deixo o meu filho brincar sozinho no playroom enquanto estou no quarto ao lado, atenta a ela enquanto estou na sessão de feedback dos 15 minutos que observei.
Depois, procuro um ponto de mudança para me focar e volto para o playroom por mais 15 minutos e tento de novo. Dependendo dos voluntários, eu repito o processo, no mesmo dia ou noutro dia. Lembrança para a próxima vez: exercitar a imaginação, dou aos meus voluntários objetos e peço-lhes para pensarem em 5 formas diferentes de usá-los.
Dia 4 e Seguintes: (2 horas, enquanto está uma pessoa à espera para estar com o meu filho)
Se sentirem que os vossos voluntários compreenderam o joining, avancem para a próxima técnica: celebração. Se não, persistam no joining mais uma vez. Se eles compreenderam bem o conceito de joining, repitam o mesmo processo que fizeram para o joining com cada uma das técnicas e continuem a adicionar técnicas até que a pessoa esteja a trabalhar com a vossa criança 15 minutos de cada vez, focando-se em todas as técnicas possíveis do programa, dedicando 1 a 3 dias a cada técnica dependendo da resposta dos voluntários ao vosso feedback e da disponibilidade da criança (e.g. estar a treinar os voluntários a fazer um pedido e a criança está com ismos o tempo todo – os voluntários não poderão tentar fazer o pedido)
Depois de os meus voluntários estarem treinados desta forma em todas as técnicas do programa Son-Rise, treino-os na resistência e peço-lhes para irem para o playroom com o meu filho 15 minutos por dia. Vou acrescentado 15 minutos ao playroom até eles atingirem as 2h que eles iriam trabalhar normalmente, e depois faço sessões de feedback uma vez por semana.
Durante o período em que os voluntários estão a trabalhar apenas 15 minutos com o meu filho, aprendendo cada técnica, continuo a ter sessões de treino de 2 horas e pratico com eles a improvisação, a celebração de diferentes formas, músicas, movimentos corporais, expressões faciais, como preencher as fichas, limpeza e higiene do playroom, bem como fazer brainstorming de jogos.
Isto é apenas uma sugestão de como eu treinei os meus voluntários, tal como outros pais Son-Rise treinaram de formas completamente diferente e tiveram muito sucesso também, o importante é encontrar o que está certo de acordo com o ritmo da vossa casa, o vosso ritmo e o ritmo da vossa criança.
Tratem os vossos voluntários com os mesmos princípios que tratam as vossas crianças – tudo o que se aplica à vossa criança, aplica-se aos vossos voluntários, sigam-nos, não os julguem ao fazer o feedback, sejam carinhosos e aceitem os voluntários, acreditem nas suas capacidades de aprender e crescer, criem exercícios de treino que sejam entusiasmantes e divertidos.
Quando fizerem as vossas sessões de feedback, façam perguntas antes de dizerem “façam/não façam isto” –  Procurem perceber como é que os voluntários trabalham, qual é o processo de pensamento das suas ações naquela situação, antes de lhes ensinarem. Exemplo: a criança está com ismos, o voluntario está animadamente a tentar começar um jogo com os 3E’s, em vez de  dizerem “ nesta altura em que o João está com ismos, estás a tentar jogar à bola com ele. Não faças isso quando ele está com ismos” podem dizer “Quando o João estava com ismos na mesa, eu notei que tu começaste um jogo com a bola, podes falar-me um pouco mais sobre a tua escolha de fazeres o jogo com a bola?
Usem jogos improvisados durante as reuniões de grupo – Para manter a criatividade dos meus voluntários, há excelentes ideias de jogos no antigo programa de TV “Whose line is it anyway?”: uma ideia, por exemplo, que eu costumava usar é o convidado da festa misterioso – façam cartões como nomes de personagens (e.g. construtor, indiano, teletubby, Noddy, alguém com soluços, alguém que fala rápido ou espirra muito, alguém que tropeça em tudo, entre outras imensas ideias). Ponham os cartões num chapéu ou saco e peçam a um voluntário para tirar uma cartão e mostrar-vos a vocês, mas não ao resto do grupo. Então, ele terá que fingir que é a personagem do cartão enquanto os restantes voluntários que são os anfitriões da festa terão de adivinhar que personagem ele está a imitar.
Variem as reuniões de grupo para mantê-las interessantes – às vezes temos brainstormings em sessões nas quais pensamos sobre jogos, outras vezes saímos para celebrar o aniversário de alguém ou a entrada de um novo voluntário.
É muito importante que os voluntários percebam como é que vocês constroem jogos, em vez de vocês lhes darem apenas atividades já prontas para eles jogarem com a criança, mesmo que vocês já tenham imensas atividades pensadas. Um jogo para ajudá-los a perceber a estrutura dos jogos do programa Son-Rise é fazer vários cartões com temas que interessam à vossa criança, outros cartões com nomes de adereços/objetos e outros com objetivos a trabalhar com a criança. Coloquem os cartões em diferentes montes e cada voluntário, à vez, tira um cartão de cada monte e pensam num jogo que envolva a combinação dos 3 – por exemplo, o tema pode ser “dinossauros”, a “bola” é o objeto e o objetivo é o “contacto ocular”, porque é um pouco difícil juntar elementos aleatórios, eles terão que trabalhar nisso e irão assim reter bem a estrutura de conjugar objetos com a motivação da criança na suas cabeças e também, potencialmente, as combinações estranhas também são um fator da atividade interessante e desafiante.
Espero que as dicas sejam úteis e que vos ajudem a divertirem-se no vosso treino, pode ser tão divertido como estar com a vossa criança no playroom!
Fonte: http://blog.autismtreatmentcenter.org/