Autismo e o tempo frente ao ecrã: Cérebros especiais, riscos especiais

Crianças com autismo são vulneráveis aos efeitos negativos do tempo frente ao ecrã.
Durante o tempo frente ao ecrã, as crianças com perturbações do espetro do autismo (PEA) são especialmente vulneráveis a vários impactos relacionados com o cérebro. 

Estes eletrónicos “efeitos secundários” incluem a agitação excessiva e a desregulação – o que chamo de “Síndrome de Ecrã Eletrónico” -, assim como a dependência tecnológica a jogos, à internet, a telemóveis, às redes sociais, etc.

Porquê?

O cérebro com autismo tem características inerentes que o tempo frente ao ecrã agrava. Na verdade, estes impactos ocorrem em todos nós, mas as crianças com autismo são simultaneamente mais propensas a experienciar os efeitos negativos e menos capazes de recuperar deles; os seus cérebros são mais sensíveis e menos resilientes.

Como enquadramento para compreender estas vulnerabilidades é importante saber que o tempo frente ao ecrã – especialmente o interativo – funciona como um estimulante não muito diferente da cafeína, das anfetaminas e da cocaína. Também é importante saber que as crianças com autismo são, normalmente, sensíveis a qualquer tipo de estimulantes, sejam estes farmacêuticos ou eletrónicos.
Por exemplo, crianças com autismo e problemas de atenção normalmente não toleram estimulantes prescritos, um tratamento padrão para PDA/PHDA (Perturbação de Défice de Atenção /Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção). Os estimulantes têm tendência a deixar as crianças com autismo irritadas, chorosas, demasiado focadas, mais obsessivas-compulsivas e incapazes de dormir.
Os estimulantes podem também agravar tiques, comportamentos autolesivos, agressões e problemas sensoriais.

Entretanto, em famílias que lidam com autismo existem fatores socio emocionais adicionais que contribuem para o uso excessivo da tecnologia.

Primeiro, as famílias lidam muitas vezes com comportamentos altamente disruptivos que são apaziguados – pelo menos durante algum tempo – ao fornecer um dispositivo à criança.

Segundo, dizem aos pais que jogar videojogos é “normal”. É algo que o seu filho pode fazer com outras crianças”.

Terceiro, os pais são encorajados a introduzir tecnologia cedo e frequentemente – em especial, se “ele é bom com computadores”.

Quarto, terapeutas comportamentais da escola e ao domicílio frequentemente utilizam videojogos ou outras aplicações como reforços: “É a única coisa que resulta com ela!”.

E, por último, os pais e os médicos normalmente são encorajados a tentar softwares de ecrã que alegam reduzir os comportamentos autistas ou melhorar as capacidades sociais, comunicativas e de leitura.

Escusado será dizer que a educação nesta área é extremamente necessária.