Deite fora a sua TV!!!!

Sim, “Throw Away Your Television” é uma música dos Red Hot Chili Peppers – mas não, este não é um blog sobre a actual cultura pop.

E sim, é engraçado imaginar o contentor de lixo da rua com sua televisão – e não, provavelmente não iria caber. Mas sim – estou a falar a sério. Deitar fora a nossa televisão foi a melhor coisa que a minha mãe fez por mim.

Descobri numa idade muito precoce, que minha família era um pouco diferente. Enquanto os meus amigos comiam sanduíches de peru com queijo processado no pão branco, eu comia queijo cheddar orgânico com rebentos de alface e pickles em pão integral – o tipo de pão que mais parece a mistura de fugir do que o pão. Os meus amigos comiam fruta descascada, eu comia a fruta com casca.

Os meus amigos tinham bolachas – eu tinha “Barritas nutritivas” – o nosso carinhoso apelido para os pedaços nutritivos que o meu pai fazia de farinha integral, nozes, passas e tudo mais que pudesse encontrar sem açucar adicionado, nos armários lá de casa.E isto foi apenas o começo do que me fez destacar dos meus amigos na mesa do almoço …

Enquanto meus amigos conversavam sobre os seus desenhos animados favoritos, ou suspiravam com o gala da TV, a minha irmã e eu nunca sabiamos do que eles estavam a falar.Nós fomos criadas inteiramente sem televisão – a ponto de nem sequer ter uma televisão em casa para assistir a filmes ocasionais.

Ainda me lembro como uma vez a cada poucos meses, nós iamos à loja de vídeo local alugar um filme (tinhamos sempre que escolher algo que toda a família gostasse), e então, enquanto eu e minha irmã tratavamos de escolher o video, os meus pais carregavam os volumosos equipamentos de TV e VCR (circa 1975)para o carro.

Olhando para trás, eu percebi que o que realmente nos fez diferentes foi o tempo que passamos a viver as nossas vidas em vez de ver os outros a viver vidas faz de conta para a televisão.
Brincavamos na árvore do quintal – que servia de fortaleza – coreografamos espetáculos de dança e forçamos os nossos pais para comprar bilhetes para assistir aos nossos espectaculos – enterravamos tesouros no quintal e feziamos mapas para encontrá-lo novamente no dia seguinte (e apenas uma vez não conseguimos encontrar onde o tinhamos enterrado …)…
EXPERIENCIAMOS a vida de uma maneira que os nossos amigos simplesmente não conseguiram.

Não me interpretem mal – Eu adoro um bom programa de TV – E sim, durante muitos anos eu fiquei ressentida com a minha mãe por ela me ter mantido afastada dos meus desenhos animados. Mas eu vim a perceber que minha mãe é uma das mais sábias mulheres que eu já conheci. Ela tinha percebido… – e ela ajudou-nos a desenvolver uma dose saudável de curiosidade, ensinando-nos a explorar o nosso mundo ao invés de vê-lo de flash num monitor á nossa frente.

As crianças com autismo ou desafios relacionados precisam de apoio extra para aprender a conviver com as pessoas. A exploração natural das relações sociais com outras pessoas (não através da televisão) é uma das melhores maneiras para os nossos filhos desenvolverem os seus cérebros para uma maior interação social.

Alguns de vocês podem ainda não estar prontos para largarem a televisão – assim, Episódios 2 e 3 desta saga seguirão em breve. Por agora, vamos deixar que esta semente seja plantada no vosso cérebro – o Americano assiste em média a mais de 4 horas de TV por dia (não contando os computadores, videojogos e mensagens de texto em telemoveis). Isto totaliza dois meses sentados em frente à televisão cada ano – e se essa pessoa viver até aos 65 anos, terá passado nove anos de vida colado à televisão.

O contentor do lixo parece-lhe mais atraente agora?