Sexualidade e autismo

Existe muito pouco textos, pouco se fala e escassas informações na literatura sobre o comportamento sexual de jovens e adultos com autismo.  Mas mesmo sendo um assunto pouco falado merece nossa atenção.

A sexualidade é parte do processo de crescimento orgânico e de maturação, conectado ao desenvolvimento do sistema nervoso, o metabolismo e a secreção hormonal. A sexualidade se desenvolve através da interação e comunicação social, através do contato físico, das brincadeiras e da assimilação das regras e normas sociais. A sexualidade é uma experiência emocional consigo mesmo e com os outros.

A sexualidade é fantasia, é a capacidade de imaginar, uma capacidade que se baseia na percepção, na compreensão e em conceitos simbólicos fisgados na corrente das experiências cotidianas. A sexualidade é desejo, excitação e orgasmo. Tem que ser descoberta, tem que ser praticada e tem que ser explorada. Isto pode ser feito nas brincadeiras, sozinho ou com os outros.

É importante que a pessoa com autismo viva sua sexualidade e ele seja respeitada. Problemas sexuais não resolvidos podem provocar a diminuição da qualidade de vida. Quando nos damos conta de como a sexualidade influencia as emoções e o comportamento humano, fica óbvio que este tema deveria merecer mais atenção.

O processo de desenvolvimento e maturação das pessoas com autismo pode ser afetados pelo grande número de transtornos no sistema nervoso, no metabolismo e nos processos hormonais. A epilepsia é comum, geralmente requerendo medicação. Também é usada medicação antipsicótica para suprimir comportamentos agressivos e autolesivos, e pode certamente afetar o impulso sexual.

Três problemas principais que normalmente surgem nas discussões sobre a sexualidade das pessoas com autismo.
1) Elas têm uma tendência a masturbar-se em público
2) Demonstram um comportamento sexual impróprio em relação às outras pessoas,e.
3) Muitos usam técnicas autolesivas quando se masturbam.

O que pesquisadores relatam que pessoas com autismo podem se sentir atraídas por outras pessoas, porém a expressão de sua sexualidade é, com frequência, ingênua, imatura e inexperiente.

A falta de compreensão das normas e regras sociais pode se traduzir por uma pessoa com autismo tirar a roupa ou talvez se masturbarem público. A falta de capacidade para sentir empatia pode também levar uma jovem pessoa com autismo a tentar tocar, beijar ou abraçar estranhos. Jovens pessoas com autismo podem facilmente sentir-se atraídas tanto por crianças pequenas, quanto por seus iguais.

Apesar do facto de faltar à jovem pessoa meios de manter uma relação amorosa, o desejo de ter um namorado ou namorada pode converter-se numa obsessão. As frustrações nas tentativas de estabelecer amizades ou relacionamentos amorosos e/ou a rejeição de um contato físico com intenções sexuais podem levá-los à frustração e resultar em comportamentos agressivos ou autolesivos. A pessoa pode retrair-se ou até mesmo desistir totalmente de sua sexualidade.

O empenho no tratamento deve-se centrar em ensinar aos jovens comportamentos que favoreçam sua capacidade para estabelecer relações em geral e não apenas de caráter sexual.
Assim o jovem consegue lidar com seu corpo e com as exigências sociais.

Mais no site: http://www.ama.org.br/site/images/home/Artigos/PrimeiroEstudoCompletoemambitonacionaleinternacionalsobreotema.pdf