SE O MEU FILHO NÃO TIVESSE TIDO AUTISMO …

Às vezes penso o que teria acontecido se a natureza tivesse seguido seu caminho da maneira mais comum, se Deus tivesse decidido olhar para o outro lado e deixar passar suas idéias loucas.

Se Ivan não tivesse tido autismo, a vida seria muito diferente e certamente continuaria com a venda nos olhos para muitas coisas.

Se Ivan não tivesse tido autismo eu poderia ir ao cinema com mais frequência, eu me dedicaria a ler apenas livros de ficção científica, eu iria de férias na época alta, seria forçado a fazer algo que não gostava, voltaria para casa e ligava a TV para assistir as trágicas notícias do mundo, comeria os mesmos alimentos embalados e processados de sempre, etc.

Mas Ivan tem autismo.

POR SORTE.

E graças a ele, demos a televisão, aprendi a desapegar-me das coisas, aprendi a confiar mais do que nunca em “Deus vai providenciar”, ele mudou a minha dieta e fez-me ganhar saúde e anos de vida, fez-me estudar coisas muito diferentes: línguas, história, música, tecnologia, medicina tradicional e alternativa, tratamentos terapêuticos, alimentos, etc.

Graças a ele, venci a minha permanente timidez e falei em público, conheci os alimentos fermentados e acabei com os meus problemas intestinais, aprendi a controlar os meus medos e venci os ataque de pânico, aprendi a viver os pequenos momentos, a usar os cinco sentidos. Eu aprendi a ser um detetive e a investigar tudo.

Graças a ele, aprendi a valorizar o que é importante e a não colocar energia nas coisas supérfluas que nos assaltam todos os dias, aprendi a perdoar e ainda mais a me perdoar e a aceitar-me e (por que não) a amar-me.

Aprendi a duvidar de tudo e a questionar tudo, o tempo todo, aprendi a ser pacífico e paciente, abandonar a violência para sempre, aprendi que querer controlar tudo é absurdo.

Graças a ele hoje vocês leem-me e isso encorajou-me a escrever um romance, graças a ele eu aprendi a sonhar grande e pensar em projetos de coesão com outros pais com a mesma experiência de vida.

E tudo porque Ivan tem autismo.

Dany, o pai de Ivan (que se sente abençoado)

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