10 coisas que precisa de saber sobre autismo e empregabilidade

Planeamento e recursos para o sucesso

Historicamente, tem sido muito difícil para as pessoas com autismo encontrar um emprego regular e remunerado. Enquanto, até certo ponto, isso continua a verificar-se, os tempos vão evoluindo para melhor. Cada vez mais empresas estão a reconhecer as vantagens de contratar pessoas com deficiências. Mais animador ainda, certas empresas e indústrias estão a descobrir os pontos positivos de empregar indivíduos com autismo.

Apesar destes factos encorajadores, o caminho para o sucesso continua cheio de armadilhas. A fim de conseguir um emprego, um adulto com autismo ainda tem de passar por mais testes e avaliações do que a maioria dos empregados. Além disso, os sintomas do autismo podem tornar-se sérios problemas em muitos ambientes de trabalho.

Para aproveitar ao máximo as oportunidades, evitando possíveis armadilhas, é importante planear, compreender as opções disponíveis e saber onde procurar mais informações.

 

A maioria dos adultos com autismo está subempregada.

Menos de metade dos adultos com autismo está empregada. Mesmo os que têm trabalho têm horários em part-time ou, então, têm empregos para os quais têm excesso de qualificações. Alguns, muito poucos, trabalham como voluntários ou em programas fora do convencional. Há um conjunto alargado de razões para tal:

  • As pessoas com autismo têm sintomas que frequentemente põem em causa uma entrevista bem-sucedida, a boa gestão dos requisitos físicos do local de trabalho ou a integração em equipas de trabalho.
  • As expectativas para os adultos com autismo são baixas; poucas escolas e famílias esperam que as suas crianças com autismo tenham carreiras de sucesso (a menos que tenham capacidades fora do normal, o que é relativamente raro).
  • Os programas desenvolvidos para adultos com deficiências não foram pensados para pessoas com autismo. Na verdade, a maioria foi desenvolvida para indivíduos com deficiências intelectuais, ou para pessoas com problemas motores, como paralisia cerebral ou cegueira.
  • A fim de encontrar um emprego, as pessoas com autismo têm de competir por vagas, e isso pode ser desafiante para indivíduos com problemas de comunicação social.

 

Os serviços escolares terminam aos 18 anos.

A escolaridade é um direito, isto é, as escolas estão encarregues de fornecer uma educação gratuita e apropriada. No que toca aos adultos, porém, não existem esses “encargos”. O seu filho pode ou não ser abrangido pelos serviços e, mesmo que seja, pode ou não haver financiamento.

Isto soa bem pior do que é. Na prática, qualquer um com uma deficiência significativa (das quais o autismo faz parte) terá direito a alguns serviços, enquanto adulto. No entanto, para que tal se verifique, é necessário perceber como funciona a fase de transição no seu país, que opções estão disponíveis e como qualificar o seu filho para os serviços de que ele possa vir a precisar.

 

Os programas de transição para a fase adulta, para o autismo, são ainda muito recentes.

Até há relativamente pouco tempo, os adultos com autismo eram raros. Os que eram diagnosticados com autismo eram portadores de uma deficiência grave. Foram criadas escolas para fornecer treino de habilidades básicas aos alunos com deficiências severas, bem como capacidades-chave de trabalho, sabendo que os alunos (se tivessem sorte) acabariam empregados em trabalhos em regime de part-time, que requerem poucas capacidades.

Tem sido apenas nos últimos anos que uma grande parte de pessoas com autismo tem precisado de um tipo completamente diferente de programas de transição para a vida adulta. Alguns adultos não têm qualquer deficiência intelectual mas, por exemplo, sofrem de intensa ansiedade. Outros, por sua vez, podem possuir ótimas capacidades técnicas, mas enfrentar problemas sérios ao nível sensorial.

As escolas são obrigadas a fornecer programas de transição adequados para os alunos com autismo, mas nem todas estão preparadas para o fazer. Como resultado, são muitas vezes os pais quem desenvolve o trabalho de pesquisa, encontra os recursos e fornece indicações às escolas. Alternativamente, alguns pais contornam as escolas e usam os próprios recursos e conhecimentos para sustentar os seus filhos adultos.

 

As associações só agora estão a começar a entender o autismo.

A maioria das empresas estão apenas a começar a entender o que significa trabalhar com adultos com autismo. Tal como nas escolas, as empresas estão habituadas a encontrar empregos e apoios adequados para indivíduos com deficiências físicas ou intelectuais. O autismo, no entanto, não é nenhuma das duas. Enquanto as empresas estão a trabalhar para atender às necessidades de um grupo de adultos, com grandes capacidades e desafios, que está a crescer rapidamente, continuam a enfrentar pesadas burocracias e problemas de financiamento. Não raramente, cabe aos pais e defensores da causa fornecer informação (até a nível legal) e websites para manter as empresas atualizadas.

 

Todos podemos e devemos fazer uso dos recursos informativos e de defesa.

Como é que os pais se tornam tão bem informados acerca de programas, associações, financiamento e recursos? Há várias organizações que se encarregam de informar quem está interessado. Ora, o seu e o nosso desafio está em colocar as perguntas corretas, às pessoas certas, no momento adequado. Dependendo da sua localização, pode ler publicações, falar com assessores, participar em conferências, ou aceder a webinars apresentados por organizações como:

  • The ARC
  • Easter Seals
  • Autism Speaks
  • The Autism Society
  • Autism Asperger’s Society of New England

Munido da informação acerca daquilo que está disponível, pode começar a “arrumar a casa”, a fim de que o seu filho esteja pronto para a transição assim que completar os 18 anos.

 

A escolha de emprego por pessoas com autismo deve ser autodirigida.

Alguns adultos com autismo sabem exatamente o tipo de trabalho que querem. Outros, por sua vez, são flexíveis e outros ainda não têm qualquer ideia. Porém, tal como toda a gente, adultos com autismo têm tanto a responsabilidade como o direito de orientar as suas próprias vidas. Mesmo que alguém tenha reduzidas capacidades verbais, é importante saber se o trabalho que está a desenvolver satisfaz os seus interesses, capacidades e mesmo o seu sentido de propósito.

Para ajudar a determinar as melhores escolhas para a carreira de um indivíduo, os psicólogos escolares e o pessoal ligado ao aconselhamento podem usar ferramentas tais como testes vocacionais, LifeMapping e testes de aptidão. A visão do aluno é então parte do plano de transição, o que, por sua vez, facilita o planeamento de estágios, treino e oportunidades vocacionais.

 

As oportunidades de trabalho dependem das capacidades e desafios.

Uma das mais duras realidades que os pais de uma criança com autismo têm de encarar é o facto de que ser possuidor das capacidades necessárias nem sempre é suficiente para conseguir e manter um bom trabalho. Um jovem adulto com autismo pode ser um matemático brilhante, mas se não for capaz de adaptar as suas capacidades a uma função como, por exemplo, contabilidade ou estatística, pode não encontrar emprego. Outros obstáculos à empregabilidade de uma pessoa com autismo incluem:

  • Ansiedade social
  • Fortes desafios sensoriais
  • Inflexibilidade
  • Dificuldade em aceitar críticas
  • Indisponibilidade para partilhar ou colaborar

Curiosamente, por vezes é mais fácil encontrar um emprego para um indivíduo não-verbal, com poucos problemas sensoriais, do que para um técnico talentoso que não consegue lidar com um ambiente de escritório.

Compreender os pontos fortes e desafios é importante para a transição e para o processo de procura de um emprego. Se já identificou aqueles que podem ser obstáculos a encontrar um emprego, pode optar pelo treino, por estágios ou por um trabalho de especialização, a fim de encontrar a melhor opção possível.

 

Nunca houve tantas oportunidades de emprego como atualmente.

Muitas grandes empresas começam agora a identificar as vantagens de contratar indivíduos dentro do espetro do autismo. A empresa de contabilidade Ernst and Young, por exemplo, tem um programa de neurodiversidade bastante apelativo a adultos autistas, por terem habilidades matemáticas e de concentração que faltam a muitos outros indivíduos. Outras empresas com programas específicos para autistas são a SAP e a Ford.

Ademais, algumas empresas mais pequenas estão a desenvolver os seus negócios em torno das habilidades dos autistas. A Rising Tide, uma empresa de lavagem de carros na Flórida, tem atraído atenções pelo seu foco no autismo, mas não é a única. Frequentemente, os pais de adultos autistas criam oportunidades para os seus filhos, que depois se expandem.

Assim, vale a pena ficar de olho nas notícias sobre emprego para autistas, dado que as oportunidades surgem a cada minuto.

 

É importante preparar para o sucesso.

Se é fantástico imaginar um adulto com autismo a conseguir um ótimo emprego e a mantê-lo para o resto da sua vida, é raro verificar esse sucesso sem uma forte e sustentada preparação e apoio. É possível dar as bases ao seu filho (ou a si mesmo) para o sucesso, mas é preciso planeamento e trabalho.

Geralmente, o planeamento:

  • Envolve pelo menos uma associação orientada para a deficiência.
  • Requer a participação ativa do empregador (por vezes, envolve treino ou estágios administrados pelo mesmo).
  • Inclui treino específico e prática por parte do empregado.
  • Inclui orientação durante algum período de tempo.
  • Requer avaliação contínua e capacidade de resolução de problemas.

 

Fonte: https://goo.gl/ssSsLi

Traduzido por: André Gomes