Um Jogo de Socialização

 

Muitos pais querem ideias de jogos para os seus filhos adolescentes e adultos faladores, no espectro do autismo. Aqui está um jogo que eu criei para um rapaz de 16 anos, com quem trabalhámos há algumas semanas! Espero que este jogo o inspire a ter ideias para o seu! 🙂

Um dos objetivos que a nossa equipa do programa Son-Rise escolheu para este rapaz foi: “Fazer perguntas sobre a outra pessoa, numa conversa.”. Ele disse-nos que não sabia como iniciar conversas ou o que conversar. Acreditámos que concentrar-se neste objetivo iria ajudá-lo a sentir-se muito mais confiante em seguir em frente!

A vontade deste rapaz de criar amizades e de saber como manter uma conversa inspirou o Game for Socialization (“Jogo de Socialização”) que estou prestes a compartilhar convosco! Vamos começar com o processo por detrás de como o criei. Houve três ingredientes principais que considerei ao elaborar o meu jogo:

  1. Escolhi um dos seus objetivos em que me queria focar.
  2. Escolhi pelo menos uma das suas motivações que poderia explorar.
  3. Trouxe adereços para trazer o nosso jogo para a realidade.

O nosso amigo era muito talentoso em artes marciais e ganhou um cinto preto por estas habilidades! Isto significa que eu tinha uma motivação que poderia usar no nosso jogo! Decidi então que ele iria ser o meu professor de artes marciais e que eu iria ser o seu treinador de amizades!

Entrei na sala de jogos a usar o meu robe branco de artes marciais e escrevi, “Canto dos Treinadores”, num pequeno tapete amarelo, que ficava num canto da sala de jogos. Deixei também uma peruca castanha, um pouco tonta, em cima do nosso tapete amarelo! Finalmente, disse-lhe que ele iria ensinar-me alguns movimentos de artes marciais e que eu iria ajudá-lo a praticar perguntas aos amigos sobre eles mesmos.

Ele estava animado para começar e eu também!

Como ele me ensinou diferentes movimentos de artes marciais, os quais eu não completei graciosamente, mas sim divertidamente, havia espaço para conversarmos! Depois de acabar de me ensinar um destes novos movimentos, eu disse: “Nunca aprendi artes marciais na escola, mas pratiquei desporto.” Fiz uma pausa de quase 8 segundos e ele permaneceu quieto. Este é um momento em que me poderia ter feito uma pergunta sobre mim. Como ele não o fez, eu disse animadamente: “Vamos para o meu canto dos treinadores!”

Ficámos no meu tapete amarelo, coloquei a minha peruca castanha e agi como o seu novo treinador de amizades com muita energia! Bati palmas e disse: “Ei! Estás a fazer tudo bem, a ensinar-me estes movimentos! Estás realmente a ouvir-me e a ser incrível ao celebrar os meus esforços! Está a correr muito bem! Mas, quando eu te disse que praticava desporto na escola, poderias ter-me feito perguntas sobre isso! O que te ajudaria a manter conversas com os teus amigos! Vamos voltar para o tapete e tentar de novo!”

Entusiasticamente, atirei a minha peruca castanha de volta para o chão, fiquei atrás numa posição de artes marciais e, em seguida, repeti a frase que tinha dito antes. “Nunca aprendi artes marciais na escola, mas pratiquei desporto.” Desta vez, quando fiz uma pausa, ele disse: “Que desporto praticas-te?” Eu respondi-lhe animadamente e depois comemorei! Continuamos este jogo cerca de uma hora e ele perguntou muito sobre mim até o fim!

Esta foi uma maneira incrível de o meu novo amigo conhecer-me, ao fazer ao mesmo tempo as artes marciais que ele tanto gosta! Eu também me diverti muito, alternando entre ser a sua estudante de artes marciais entusiasmada e a sua treinadora de amizades energética, de aspeto maluco!

Escrito por Brandi Davis, Facilitador Infantil do Programa Sénior Son-Rise.

 

Fonte: https://goo.gl/pt6uYq

Traduzido por: Sofia Coelho