Visão Geral do Autismo Não Verbal

 

Cerca de um terço das pessoas com autismo usa pouca ou nenhuma língua falada

De acordo com um estudo da Universidade de Boston, cerca de 30% das pessoas diagnosticadas com a perturbação do espetro do autismo “não aprendem a falar mais do que algumas palavras”. O autismo não verbal tem pouca pesquisa e pouco se sabe sobre os processos de pensamento das pessoas que não falam. Contudo, algumas pesquisas estão em curso e novas tecnologias estão a abrir portas de comunicação e compreensão.

 

O que é o Autismo Não Verbal?

Cerca de um terço das pessoas com a perturbação do espetro do autismo não usa a língua falada ou apenas algumas palavras. Todos estes indivíduos podem ser descritos como tendo autismo não verbal. No entanto, o termo “autismo não verbal” não tem um estatuto oficial e não existe tal diagnóstico como “autismo não verbal”. Em parte, isso ocorre porque não existe uma linha clara entre indivíduos verbais e não verbais com autismo. Por exemplo:

  • Algumas pessoas com autismo não verbal desenvolvem a capacidade de usar algumas palavras de maneira significativa, mas não incapazes de continuar qualquer tipo de conversa. Por exemplo, eles podem dizer “carro” e pretender dizer “vamos dar um passeio”, mas não eram capazes de responder à pergunta “onde devemos ir?”
  • Algumas pessoas “não verbais” têm a capacidade de falar, mas não têm a capacidade de usar a linguagem de forma significativa. Estes indivíduos podem “repetir” guiões da televisão ou expressões que foram ensinadas por terapeutas. Em vez de usar esses guiões para comunicar ideias ou desejos, parecem usar os “guiões” como uma forma de estimulação auto-calmante.
  • Alguns indivíduos não verbais não conseguem usar a língua falada de forma eficaz, mas são capazes de comunicar através de linguagem escrita ou digitada, Linguagem Gestual Americana, cartões de retratos ou dispositivos de comunicação digital. Uma vez que um indivíduo esteja a comunicar eficazmente, mesmo sem a língua falada, a sua capacidade de se envolver no mundo cresce dramaticamente.

A Falta de Fala Significa Falta de Inteligência?

Qualquer pessoa que tenha um resultado de QI igual ou inferior a 70 em testes específicos, é rotulada com Deficiência Intelectual (DI). Até há relativamente pouco tempo, considerava-se que todas as crianças não verbais com autismo eram intelectualmente incapacitadas pelo simples facto de que os seus resultados de QI eram (geralmente muito abaixo) de 70.

Recentemente tornou-se claro que os típicos testes de QI são ferramentas muito fracas para medir a capacidade intelectual em crianças com autismo – especialmente quando essas crianças são crianças não verbais.

As razões são muito óbvias; por exemplo:

  1. Os testes de QI, na sua maioria, dependem da capacidade do candidato em entender e responder rapidamente às informações verbais. Crianças não verbais com autismo têm claramente problemas naquelas áreas que podem ou não ter qualquer ligação com a inteligência básica.
  2. A maioria dos testes de QI exige capacidade de compreender e responder às normas e expectativas sociais e de responder dentro de um período de tempo específico. Essas expectativas são muito desafiadoras para crianças com autismo, verbais ou não.
  3. Problemas sensoriais que não causam problemas a crianças comuns, podem distrair crianças com autismo. As crianças não verbais com autismo não têm a capacidade de informar quem as avalia sobre tais problemas.
  4. Os examinadores raramente são treinados para trabalhar, para se envolverem em alguma coisa ou “ler” crianças com necessidades especiais, especialmente crianças não verbais. Se eles não conseguem envolver a criança, é muito improvável que a criança apresente o seu nível mais elevado de capacidades.

Como é que, então, o QI deve ser avaliado entre crianças não verbais com autismo? Idealmente, a resposta devia incluir tanto os testes de QI não verbais como as observações que não estão relacionadas com o teste.

O TONI (Teste de Inteligência Não Verbal) é um exemplo de um teste de QI não verbal que é geralmente a melhor opção para crianças não verbais e para crianças com autismo em geral.

A observação de crianças não verbais em ambiente familiar pode também fornecer aos examinadores informações verdadeiras sobre habilidades versus habilidades para fazer o teste.

Muitas vezes, enquanto crianças com autismo não-verbais podem falhar em cooperar ou compreender totalmente a intenção de testes padronizados, elas são capazes de lidar com desafios intelectuais, como resolver problemas matemáticos complexos ou quebra-cabeças.

É claro que nem os distritos escolares nem as agências são capazes de aceitar os resultados dessas avaliações tão cedo, mas as pesquisas sugerem que eles são muito mais propensos a revelar o verdadeiro potencial de uma criança.

 

Porque é que as Pessoas Não Verbais com Autismo não Aprendem a Falar?

Um dos aspetos mais estranhos do autismo não verbal é o facto de que ninguém realmente sabe por que algumas pessoas com autismo não conseguem ou não usam a língua falada. É especialmente intrigante porque algumas pessoas não verbais do espectro conseguem e preferem comunicar usando a Linguagem Gestual Americana, cartões de retratos e uma variedade de ferramentas digitais.

É verdade que algumas pessoas com autismo também têm apraxia da fala na infância, um distúrbio neurológico que torna a língua falada extremamente difícil. Mas a maioria dos indivíduos não verbais no espectro do autismo não tem apraxia; eles simplesmente não falam. Claramente existem diferenças na função cerebral que inibem a língua falada, mas, neste ponto, não há consenso sobre quais são as diferenças ou como é que elas afetam qualquer indivíduo.

Estudos estão a recorrer a ferramentas como ao eletroencefalograma (para medir ondas cerebrais) e MRI (para medir a atividade cerebral) numa tentativa de melhor entendimento do que está a acontecer dentro da mente de uma pessoa que não fala ou não consegue falar. Outros estão a avaliar o olhar fixo.

Até agora, parece claro que as pessoas com autismo não verbal entendem muito mais do que comunicam; mas quanto mais e a que nível, ainda não é claro.

 

O Meu Filho que tem Autismo Aprenderá a Falar?

Frequentemente, os terapeutas usam o termo “pré-verbal” em vez de “não verbal” para descrever crianças com autismo que não usam a língua falada. Muitas crianças com autismo com fala atrasada ganham a capacidade de comunicar com a língua falada. Alguns tornam-se bastante fluentes. Outros, no entanto, nunca conseguem dizer mais do que algumas palavras.

De acordo com uma publicação do NIH Workshop sobre Crianças Não Verbais em Idade Escolar com Autismo, “…é um desafio muito significativo avaliar esses indivíduos com ferramentas tradicionais. As nossas ferramentas de avaliação atuais têm fiabilidade e validade relativamente baixas para esta população. A presença de apenas uma palavra, ou alguma fala ecolálica, parece ser um indicador significativo para a aquisição da língua falada após os cinco anos de idade.

 

Como é Que Posso Incentivar o Meu Filho a Falar (ou a Pelo Menos Comunicar)?

Existem muitas técnicas para incentivar e melhorar a língua falada para crianças com autismo, embora não haja garantia de que uma abordagem específica seja eficaz para qualquer criança. Pesquisas sugerem que a terapia da fala, as intervenções comportamentais e até mesmo a terapia lúdica podem melhorar a comunicação verbal. Algumas pesquisas iniciais também sugerem que a musicoterapia e técnicas relacionadas podem ter um impacto positivo na fala.

 

Uma Palavra de Verywell

Se o seu filho não estiver a falar ou a usar palavras para comunicar, é importante que se lembre destes importantes e surpreendentes factos:

  • A aquisição tardia da linguagem não é necessariamente uma indicação de baixo QI ou mau prognóstico.
  • Crianças com autismo podem desenvolver a linguagem muito mais tarde do que crianças com desenvolvimento normal, o que significa que vale a pena a terapia da fala.
  • Usar técnicas não verbais para a comunicação (cartões de retratos PECS, linguagem gestual, etc.) pode ser uma forma em estabelecer comunicação. As crianças que desenvolvem habilidades de comunicação usando estas técnicas podem ganhar habilidades de língua falada ao mesmo tempo.

 

Fonte: https://goo.gl/7DZrJF

Traduzido por: Monica Santos