Encorajar o seu filho a comunicar verbalmente vs usar outras formas de comunicação

Quando se tem um filho no Espectro do Autismo, depara-se com muita informação. Há uma infinidade de abordagens e ideias que estão disponíveis para si. Muitas vezes pode-se sentir sobrecarregado na missão de apoiar o seu filho da melhor maneira possível e sentir-se um pouco perdido em relação ao que tentar e quando tentar.

Cada objetivo com o qual quer trabalhar tem uma intenção e implica entrar em contacto com o que se acredita. Saber o que quer irá ajudá-lo a entender a razão pela qual está a tentar uma estratégia específica e, de seguida, aprender as ferramentas para o fazer. Se sonha que o seu filho seja capaz de comunicar verbalmente os seus desejos e necessidades, conversar e expressar-se verbalmente, é útil examinar as suas crenças para o tornar realidade. Assim, quando estiver pronto para concretizar este objetivo, seja claro e focado na razão pela qual o quer para ele.

Tente fazer a si mesmo as seguintes perguntas:

  1. Acredito que o meu filho é capaz de aprender comunicação verbal (mesmo que ainda não o tenha feito?)
  2. Gostaria que ele usasse comunicação verbal?
  3. Estou preparado para começar uma missão com o meu filho, que exige dedicação e persistência?

Se respondeu SIM a uma ou mais das perguntas acima, então, por favor, continue a ler. Quando comecei a trabalhar na comunidade do autismo (há mais de 16 anos) não havia IPads /Tablets com aplicações de linguagens e de aprendizagem. Aparelhos que temos hoje, como máquinas Talk Assist, teclados especiais ou dispositivos de comunicação Dynavox, não existiam e era raro ver a linguagem de sinais a ser ensinada a qualquer criança que não fosse uma criança surda.

No entanto, o PECS (Sistema de Comunicação de Troca de Imagens) foi desenvolvido em 1984 e foi implementado, particularmente para crianças no Espectro. Agora, existem muitas destas opções diferentes entre as quais se pode escolher.

Aqui estão algumas das perspetivas do Programa Son-Rise sobre essas outras formas de comunicação:

Já que acreditamos que o autismo é um desafio sócio-relacional, queremos encorajar o máximo de socialização possível. Isto significa que usamos TODAS as oportunidades que temos para promover, modelar e pedir comunicação verbal. Quando nos aproximamos da linguagem no Programa Son-Rise, NÃO se trata de aprender mais palavras, estender o vocabulário e corrigir a gramática. Trata-se de inspirar cada criança a ADORAR o processo de comunicação verbal e vê-lo como apenas uma das formas maravilhosas que podem usar para se relacionar com outra pessoa. Quando se usa estas formas alternativas para se comunicar, estas podem desviar-se do processo de interação humana e, às vezes, levar a menos oportunidades e / ou desejo da criança se relacionar connosco e também possivelmente a uma propensão para, pelo contrário, excluírem pessoas e usar objetos ou máquinas.

SCREEN TIME

Quando as crianças estão presas a ecrãs eletrônicos, podem usá-los de uma maneira auto-estimulante e exclusiva, que é extremamente hipnótica e, às vezes, até demasiado estimulante. Isto pode fazer com que fiquem mais desconectados e indisponíveis para a interação social e o próprio dispositivo que começamos a usar para ajudá-los a comunicar pode ser usado como um dos seus comportamentos repetitivos (stims). Trabalhei com inúmeras crianças e adultos no espectro que verbalmente repetiam coisas que ouviram ou aprenderam diretamente dos ecrãs. Esta não é uma linguagem comunicativa, mas sim ismos verbais exclusivos.

PECS E IDIOMA DE SINAL

Os PECs e a linguagem gestual são, na verdade, concebidos como ALTERNATIVOS para a comunicação verbal, não como um acréscimo a esta, portanto, qualquer pessoa treinada para usar PECS com o seu filho (na escola, terapias etc.) estará a fazê-lo com o objetivo de o substituir pela palavra oral ou de incentivar a linguagem do seu filho. Usar a linguagem de gestos é outro exemplo disto mesmo, se se pedir e incentivar verbalmente, então qual é a razão de se precisar de usar gestos? O sinal mais comum que as crianças usam é pedir “mais” e “comer”; se estivermos à procura de oportunidades de falar verbalmente, estaremos a procurar mais variações e ferramentas para os nossos filhos usarem, para que possam crescer para além destas duas coisas e realmente suceder em relações com outras crianças e nos seus próprios relacionamentos, com a famílias, irmãos, etc.

Dizemos – Tente o seu máximo! Vemos pais de crianças no Espectro e terapeutas a ensinar crianças a usar gestos com 1 e 2 anos e a trazer cartões PECS passado pouco tempo. Isto é feito com a melhor das intenções e com o desejo de ajudar as crianças. No entanto, não promove o uso da linguagem. Se o seu filho está nesta situação, porque haveria ele de querer esforçar-se ou desafiar-se mais? Assim, se os seus filhos estão a aprender através destas formas alternativas de comunicação (com a crença de que os seus filhos não vão falar), é pouco provável que estes terapeutas OUÇAM qualquer discurso que a criança esteja a fazer como sons ou palavras reais e é menos provável também que estejam à procura de oportunidades para ensinar a comunicação verbal.

Acreditamos que toda criança é capaz de aprender a falar.

Ouvimos centenas de histórias de crianças a dizer as primeiras palavras, frases e a ter conversas pela primeira vez depois de frequentar o Programa Son-Rise.

Não restringimos a idade das crianças – sabemos que é possível quer elas tenham 3,12,23 e até 53!

Aqui estão algumas perspetivas a lembrar quando à procura da linguagem:

Seja persistente – É uma maratona, não uma corrida, dê tempo. O objetivo é mostrar ao seu filho que tudo é possível. Podemos ser um modelo exemplar para eles sobre como não desistir à primeira vez, nem à 10ª, nem à 500ª. Seja um “queredor” amoroso e apaixonado e mostre o quão determinado está em ajudar o seu filho. Pense o quão incrível a vida deles será com esta ferramenta, como eles conseguirão conquistar mais facilmente tudo o que quiserem e ganhar independência.

Trabalhe no contacto visual e no tempo de atenção interativa! Assim, haverá equilíbrio entre o que foi trabalho e apresentado ao seu filho. Normalmente, quando a criança olha nos seus olhos, dedicando-se a si e estando motivada, a linguagem verbal surge mais espontaneamente e as palavras começam a sair.

Celebre todo e qualquer discurso, em vez de se precipitar e perguntar-lhes mais a toda a hora. O seu filho (e você) pode ficar sobrecarregado quando se pergunta demais. Dê mais do que ele adora, dê-o fácil e livremente. Quanto mais bem-sucedido ele se sente pelo que cria, mais motivado e excitado ficará para se desenvolver. Encorajá-lo vai ajudar a formar uma relação melhor consigo e mostrar o quão poderosos os seus sons, palavras e frases são.

Saiba que o que quer que seja que escolhe para o seu filho, está a fazê-lo por uma razão e nós encorajamos a que faça o que tem mais sentido para si. Se, atualmente, está a ter sucesso com alguma destas formas alternativas de comunicação, então não há maravilha melhor!

 

Artigo por: Becky Damgaard, Professora do The Son-Rise Program.

 

Fonte: https://goo.gl/BpffLZ

Traduzido por: Sofia Coelho