Porque é que pode levar anos a descobrir que tem autismo de alto funcionamento?

Os sintomas podem ser “mascarados” ou ignorados”

O Autismo de Alto Funcionamento, por vezes chamado de Autismo Leve ou – até 2013 – de Síndrome de Asperger, é frequentemente diagnosticado na fase da adolescência ou já na idade adulta. Mas para se qualificar para um diagnóstico de autismo, deve apresentar sintomas desde a infância. Isto significa, que uma pessoa sendo diagnosticada na idade adulta, sempre teve sintomas de autismo, mas, de alguma forma, estes sintomas passaram despercebidos durante anos.

Porque é que o autismo pode ser difícil de diagnosticar?

O Autismo de Alto Funcionamento, pode ser difícil de diagnosticar em crianças mais pequenas. Existem várias respostas para esta questão. Por exemplo:

QI elevado e competências linguísticas podem mascarar certos sintomas. Ser um excelente aluno na escola, comunicar de forma eficaz e passar um teste de QI com cores voadoras é impressionante – e pode levar, tanto pais como professores/educadores, pelo caminho errado aquando da busca das razões para os problemas ou comportamentos inadequados de uma criança.  Mesmo os pediatras podem não conseguir detectar alguns sinais de autismo quando uma criança é capaz de comunicar, através da fala, de forma inteligente. Em alguns casos, estas competências das crianças, podem leva-las até ao ensino preparatório apenas sentindo alguns problemas de menor relevância, mas tornando-se de maior relevância quando os desafios escolares se tornam mais abstratos, exigentes e verbais e quando as interações sociais se tornam mais complexas.

O indivíduo pode ter recebido vários outros diagnósticos, enquanto o autismo subjacente não foi detectado. Muitas pessoas com autismo também têm diagnósticos de TDAH, TOC, Transtorno de Ansiedade Social e outros transtornos mentais ou de desenvolvimento. Uma criança com outro diagnóstico pode não ser devidamente avaliada para o autismo até mais tarde na sua infância ou até na idade adulta.

O indivíduo pode ter nascido antes do diagnóstico de síndrome de Asperger ou autismo de alto funcionamento ter sido incluído na literatura de diagnóstico. Existiam muitas crianças com sintomas consistentes como Autismo de Alto Rendimento antes de 1988, quando a síndrome de Asperger foi adicionada ao manual de diagnóstico, juntamente com outras formas “mais leves” de autismo. Estes indivíduos, podem ou não, ter sido diagnosticados com algo diferente do autismo (o autismo teria sido um diagnóstico excessivamente extremo para um indivíduo com alto desempenho) – e eles podem nunca ter pensado em procurar um novo diagnóstico quando adultos.

O indivíduo pode ter conseguido desenvolver meios para ocultar, administrar ou superar os seus sintomas. Pessoas com autismo de alto funcionamento têm, por definição, uma inteligência média ou acima da média. Se lhes é dito com bastante frequência para fazerem contato visual, pararem de se balançar, bater ou falar sobre as mesmas coisas repetidas vezes – eles geralmente conseguem esconder, controlar ou realmente superar estes sintomas. Quando isso acontece, os sinais óbvios externos do autismo não estão presentes, tornando o diagnóstico mais complicado.

Algumas pesquisas sugerem que o diagnóstico de autismo nas mulheres e meninas é mais difícil. Quatro vezes mais meninos e homens são diagnosticados com autismo do que mulheres e meninas e as razões não são claras. Terão as meninas menor probabilidade de serem terem autismo? Ou os comportamentos (timidez, desconforto em falar em público, dificuldades de coordenação motora e de comunicação social em situações como desportos coletivos) são considerados “femininos” e não problemáticos? Ou será que as meninas com autismo de alto funcionamento realmente comportam-se de maneira diferente dos meninos com autismo, sendo menos agressivas, mais imitadoras e mais propensas a “lutar” para se “encaixar”? Embora as razões não sejam bem compreendidas, parece claro, que ser uma mulher no espectro pode tornar-se menos propenso a receber um diagnóstico.

Indivíduos de classes sociais mais pobres ou minoritárias, são igualmente de diagnóstico mais complexo. Parece haver duas razões principais para essa disparidade. A primeiro e mais óbvia é que pessoas com menos dinheiro têm menos acesso a cuidados de saúde comportamental – e, portanto, são menos propensas a ter acesso a estes serviços, especialmente uma criança que não tem obviamente autismo. A segunda razão parece estar relacionada com as diferenças culturais: em algumas comunidades, as “estranhezas” associadas ao autismo de alto funcionamento não são consideradas particularmente problemáticas. E, é claro, que para os imigrantes mais recentes, não é surpreendente ouvir que o filho não se encaixa perfeitamente nas normas culturais americanas ou do “Primeiro Mundo”!

É importante lembrar que as pessoas que são diagnosticadas numa fase adultas podem ter sofrido muitos desafios ao longo da vida. De facto, muitas pessoas a quem é diagnosticado o autismo numa fase adulta, lutam para ser aceites, durante a vida toda. Embora um diagnóstico não mude necessariamente o curso do autismo, pode abrir portas para o entendimento, terapias e apoio que de outra forma não estariam disponíveis.

 

Traduzido por: Joana Grajera

Fonte: https://goo.gl/g7WUe8