Sintomas do autismo que não encontramos na literatura de diagnóstico

Os sintomas oficiais do autismo incluem falta de contacto visual, problemas de fala e comunicação, bem como estereotipias. Então, por que é que os pais continuam a procurar tratamentos para ajudar os seus filhos a dormir, a lidar com a ansiedade, a digerir os alimentos ou até mesmo ajudá-los nos distúrbios convulsivos? Muitos, aliás, a maioria dos indivíduos com autismo têm sintomas que não estão ligados diretamente com a interação social. Até à data, não sabemos até que ponto o autismo provoca estes sintomas ou está apenas associado a eles. Sabemos, porém, que são muito reais.

1. Autismo e Desregulação Sensorial

A maioria dos indivíduos com autismo têm desregulações sensoriais. Podem reagir de forma exagerada ao ruído, à luz ou ao toque. Ou, por outro lado, podem pedir que lhes seja induzida uma profunda pressão ou outros estímulos físicos. De qualquer das formas, a híper ou a hiposensibilidade podem fazer das atividades do quotidiano uma tarefa extremamente difícil. Que criança tem condições para uma boa aprendizagem quando está “sufocada” por uma luz intensa, um som constante ou uma peça de vestuário que lhe causa comichão? Apesar de existirem tratamentos para melhorar estas desregulações sensoriais, as melhores soluções passam, normalmente, pela mudança do meio envolvente, de forma a que se torne adequado para a criança.

2. Autismo e Problemas Gastrointestinais

As crianças com autismo têm mais probabilidade, em comparação com as outras crianças, de ter problemas de estômago e de intestino. Alguns investigadores acreditam que a relação entre autismo e problemas gastrointestinais é um indício para a causa do autismo. Outros simplesmente referem que muitas crianças com autismo têm problemas ao nível do estômago. De qualquer maneira, faz sentido tratar os sintomas e, ao mesmo tempo, assegurar uma alimentação adequada. Apesar de ainda ser discutível até que ponto as alterações na dieta e nutrição ajudam a curar realmente o autismo, nenhuma criança com diarreia, cólicas ou náuseas crónicas vai comportar-se, socializar ou aprender de forma ideal. Ao tratar os problemas gastrointestinais, os pais ajudam os seus filhos a ficarem mais recetivos à escola, às terapias e à interação social.

3. Autismo e Convulsões

Uma em cada quatro crianças com autismo têm distúrbios convulsivos. Estes distúrbios podem variar de convulsões em grande escala a desmaios ou a estados catatónicos. Este espetro de sintomas pode dificultar a identificação das convulsões, que também podem ser diagnosticadas através de eletroencefalogramas, que medem as alterações nas ondas cerebrais.

4. Problemas de Sono e Autismo

Apesar de haver pouca pesquisa sobre a matéria, é sabido que muitas crianças com autismo têm problemas de sono. Alguns têm dificuldade em adormecer; outros acordam várias vezes durante a noite. Claro está, a falta de sono pode piorar os sintomas do autismo em grande medida: é difícil pensar, comportar-se ou socializar de forma correta quando se está exausto. Também os pais podem acabar por ficar esgotados quando são privados do seu descanso. Estudos demonstram que a melatonina, um suplemento baseado em hormonas, pode ajudar pessoas com autismo a adormecer. Não é claro, porém, que a melatonina ajude efetivamente as pessoas com autismo a dormir durante toda a noite.

5. Ansiedade, Depressão e Autismo

Muitos indivíduos com autismo têm problemas de ansiedade, depressão e energia intensa clinicamente diagnosticáveis. Estas perturbações parecem ser mais comuns entre pessoas com autismo de alto funcionamento e Síndrome de Asperger. Isto pode acontecer porque estes indivíduos estão mais conscientes das suas diferenças e mais propensos a sentir os efeitos da ostracização por parte dos seus pares. Contudo, alguns especialistas acreditam que as perturbações de humor que acompanham o autismo podem ser causadas por diferenças físicas no cérebro de uma pessoa com autismo.

6. Diferenças na aprendizagem e Autismo

As crianças com autismo aprendem de forma diferente. Algumas têm perturbações de aprendizagem diagnosticáveis, tais como dislexia, enquanto outras têm habilidades pouco comuns, como é o caso da hiperlexia (capacidade de ler desde muito cedo). Algumas têm dificuldade em adquirir noções básicas de matemática, enquanto outras são “génios” na matéria, sendo capazes de ir muito para além do seu nível de escolaridade.

Uma ferramenta para gerir as diferenças de aprendizagem no autismo é o Plano Educacional Individualizado (PEI), um documento criado por um grupo que inclui pais, professores e administradores escolares. Em teoria, o PEI torna possível o apoio a crianças com autismo em matérias nas quais têm dificuldades e, ao mesmo tempo, garante oportunidades para o desenvolvimento de capacidades-chave. 

7. Défice de atenção, comportamentos desafiantes e Autismo

Surpreendentemente, o défice de atenção, o comportamento agressivo e a dificuldade de concentração não estão incluídos nos critérios de diagnóstico para o autismo. Este facto pode causar estranheza, já que todos eles são extremamente comuns. Se for esse o caso, muitas crianças com autismo são também diagnosticadas com Transtorno de Défice de Atenção (TDA) ou Transtorno de Défice de Atenção com Hiperatividade (TDAH). As mudanças do meio envolvente podem ser muito eficientes, pois diminuem as distrações sensoriais e os fatores de irritação e favorecem a concentração. Outras ferramentas passam por histórias sociais, métodos de aprendizagem prática e terapias de integração sensorial.

 

Fonte: https://goo.gl/mR8tXy

Traduzido por: André Gomes