Desenvolver Competências Sociais através do Tempo de Atenção Conjunta

Já falámos do que é o Tempo de Atenção Conjunta e de como aumentar e trabalhar esse mesmo tempo, então agora é hora de falar de como podemos deenvolver competências sociais usando o TAC.

Este artigo dirige-se às crianças que já conseguem interagir em atividades cíclicas (ação motivadora – pausa – mesma ação motivadora – pausa), que inclui o outro na brincadeira quando um adulto apenas oferece a brincadeira e sorri ou dá gargalhadas brevemente e ocasionalmente em resposta às ações motivadoras oferecidas pelo outro na interação. Caso a sua criança ainda não tenha interação em atividades cíclicas, recomendamos então que leia primeiro o seguinte artigo: http://bit.ly/2SDOP0I.

Voltando ao tema deste artigo, vamos então começar! Antes de mais, tenha em atenção os seguintes pontos:

1. Faça uma lista de motivações da sua criança

Algum brinquedo que lhe chamou à atenção, algo que ela viu, que ficou na sua mão…

2. Faça uma lista de ações motivadoras

Ação motivadora é toda aquela ação que se oferece à criança que ela demonstra querer que se repita. Por exemplo: cócegas, andar de cavalitas, apanhada, etc.

3. Faça uma lista dos principais objetivos de competências que gostaria de desenvolver na sua criança consoante o seu nível de desenvolvimento infantil

Defina objetivos que percebe que ela já está preparada para adquirir.

4. Minimize a exposição a estímulos não relevantes para a atividade corrente

Por exemplo, tirar apoios visuais de brincadeiras anteriores, deixar brinquedos que não serão usados na atividade dentro de caixas ou nas prateleiras, desligar a televisão e computador.

5. Inicie atividades interativas com entusiasmo e convicção quando tiver uma “janela de oportunidade” por parte da sua criança

Quando criamos brincadeiras que nós mesmos nos divertimos enquanto as preparamos e as executamos, demonstramos o quão divertido aquela atividade pode ser. Ao ver o nosso entusiasmo, a probabilidade da criança querer brincar ao que estamos a propor aumenta consideravelmente!

6. Ofereça uma “amostra grátis” no início

Inicie a brincadeira ao oferecer a ação motivadora para mostrar à criança como a atividade nova pode ser divertida. Dessa forma, conseguimos observar se ela irá querer ou não entrar na brincadeira.

Pequena dica: para deixar a ação motivadora mais interessante e aliciante para a criança e aumentar desta forma o tempo de atenção conjunta, podemos colocar as motivações dela na brincadeira. Escolha algumas motivações e tente incluí-las na ação motivadora. Por exempo: está a oferecer cócegas à sua criança e sabe que ela adora o Mickey, use uma fotografia dele e coloque na sua testa ou comece a fazer a voz do Mickey, para a brincadeira ficar ainda mais interessante para a criança. Se a criança gosta de certas músicas ou sons, poderá incluir esses sons para deixar ainda mais engraçado. Ou então nas brincadeiras das cócegas, poderá fazer cócegas com algum dos objetos ou personagens que ela tem interesse recorrendo a fantoches ou peluches.

Hora de colocar os objetivos na brincadeira que iremos oferecer! Como fazer?

A criança poderá estar a divertir-se e nós também, mas a verdade é que também estamos super focados em trabalhar os seus maiores desafios para a ajudar. Então há que definir o que pretendemos trabalhar com a brincadeia em específico que criámos.

Depois de criada a ​brincadeira e de a criança já estar muito motivada com o que estamos a oferecer e se percebemos que ela quer mais daquela ação que estamos a oferecer, vamos então começar a solicitar o que gostaríamos que ela fizesse. Mas antes de solicitar, vamos modelar a ação que pretendemos.

Exemplo: se o nosso objetivo é que a criança comunique verbalmente o que quer e criámos a brincadeira das cócegas, então nesta brincadeira o nosso objetivo é que a criança fale espontaneamente “cócegas” ou “có” (dependendo do grau de desenvolvimento da comunicação) para sabermos o que quer e continuar assim a brincadeira. Vamos então começar por ajudá-la a falar “có” de cócegas durante a brincadeira. Podemos verbalizar várias vezes a palavra “cócegas” ou “có” ao longo da brincadeira para a criança ir ouvindo e assimilando.

Nas primeiras pausas que fizermos, iremos dizer “có” e voltar a fazer cócegas na criança. Podemos repetir o mesmo processo até à terceira pausa. Lembrem-se (ação motivadora – pausa – mesma ação motivadora – pausa).

Ao repetir este processo, a criança irá começar a perceber que o que o faz voltar a fazer cócegas, será a palavra “cócegas” ou a sílaba “có” nas pausas. Antes e durante a brincadeira, vamos modelar a palavra, e na pausa solicitar, por exemplo “ podes falar có, para cócegas, e eu volto a fazer-te cócega”. Qualquer som que a criança fizer vamos comemorar muito, por exemplo “uauuu, isso foi espetacular, falaste “aa” para cóo (enfatize) de cócegas, por isso irei fazer-te supercócegas!”.

Mas se a criança não responde à nossa solicitação?

Primeiro oferecemos um tempo razoável para que a criança possa nos responder. Este tempo deve ser medido tendo em conta a motivação da criança. Se percebemos que ela irá sair da brincadeira, voltamos a oferecer a ação motivadora mesmo sem ela nos ter dado resposta. O importante é ajudá-la a permanecer na brincadeira, para termos mais oportunidades de a ensinar.

Este é um exemplo típico de brincadeiras cíclica. Nela podemos escolher e incluir qualquer objetivo que gostaríamos que a criança desenvolvesse. Por exemplo, se queremos que ela nos olhe, durante a pausa, podemos procurar os seus olhos e quando ela nos olhar, voltamos a oferecer cócegas. Se queremos que ela bata palma, podemos na pausa, bater palma e então voltamos as cócegas, nos outros ciclos anteriores, ajudamo-la a bater palma e voltamos a fazer cócegas.

É importante ter em conta o nível de desenvolvimento da criança para ter a certeza que os objetivos definidos não são demasiado grandes naqueles momentos e de que não estamos a “saltar” nenhum degrau. Em primeiro lugar, o ideal seria identificar quais os objetivos que quer obter e depois ir graduando os objetivos em outros objetivos mais pequenos até chegar ao degrau em que a criança se encontra. Se a criança não estiver a conseguir atingir o objetivo, mesmo depois de várias e várias tentativas, talvez o degrau pedido ou esperado esteja muito acima do degrau em que a criança se encontra efetivamente e o processo de desenvolvimento de cada pessoa, pede mesmo um acúmulo de várias competências (passo a passo até chegar à meta final). Saltar estes degraus de aprendizagem, faz com que seja mais complicado para a pessoa adquirir as competências que gostaríamos que desenvolvesse.

Lembrem-se sempre, mílimetro, a mílimetro… e a acreditar que TUDO é possível!

 

Modelo Autism Rocks!, adaptado do livro “Vencer o Autismo” com o The Son-Rise Program de Raun Kaufman