Como elaborar uma atividade ou brincadeira estruturada?

Antes de começar a ler este artigo, recomendamos que leia o anterior, onde explicamos como criar brincadeiras cíclicas e em que consiste: http://bit.ly/2Yx3bpq.

Se a sua criança já consegue fazer brincadeiras ou atividades cíclicas, aqui explicamos como estruturar essas mesmas brincadeiras/atividades para não fugir do foco:

1.Defina qual será a ação motivadora

A ação motivadora será oferecido pelo adulto, aquilo que a criança quer que faça, ou que não consegue fazer sozinha ou prefere vê-lo fazer. Basicamente, será o papel do adulto.

2.Defina o papel da criança​

Aquilo que gostaria que ela fizesse, será um dos objetivos escolhidos. Será o motor para que ela receba novamente a ação motivadora ou deixar a ação motivadora cada vez mais divertida.

Nota: convém escolher sempre um objetivo de cada vez a ser trabalhado em cada brincadeira e objetivos que sejam mais pequenos e específicos ao máximo. Exemplo: Verbalizar o som “có” para receber cócegas. Quando já atingir esse objetivo de forma consistente deverá alterar e aumentar o grau de dificuldade – verbalizar as sílabas “có-ce” para receber cócegas.

3. Oferecer ações motivadoras antes e logo após os desafios para que a criança​ continue motivada a participar da atividade

Alternar ações motivadoras (algo que faz para ela e que é divertido para ela) e desafios (papéis que pede que a criança faça na atividade).

4. Dê mais ações motivadoras antes de fazer a pausa e solicitar​

Para que a criança se divirta e esteja motivada para continuar envolvida na brincadeira/atividade que está a oferecer, ofereça algumas vezes a ação motivadora antes de fazer uma pausa e solicitar algo.

5. Modele o papel da criança que pretende solicitar, fazendo antes o que quer que ela venha a fazer depois

Em seguida, demonstrar o que acontece quando faz o papel da criança: ela leva à ação motivadora.

6. Repita (com pequenas variações) a ação motivadora em ciclos torna a sua ação previsível e mais compreensível

O controle, a previsibilidade e a compreensão da atividade ajudam a criança a manter-se interativa e participativa.

7. Ofereça solicitações diferentes

​As solicitações podem ser de duas formas:

a) Diretas (“Carolina, podes falar “có” para que eu te faça cócegas novamente” ou “Carolina, diz ‘có’”)

b) ​Indiretas (“Acho que é precisa dizer alguma coisa para eu fazer cócegas novamente”) ou ​com pausa (esperar com entusiasmo pelo papel da criança de falar a palavra “có”).

A criança também pode ser convidada a ajudá-lo a fazer o papel que futuramente será pedido a ela, por exemplo, se o papel dela será o de apertar um botão, o adulto poderá apertar o botão dando o modelo inicialmente e pedir ao mesmo tempo a ajuda da criança para apertar, por exemplo: “Carolina, não estou a conseguir apertar, podes-me ajudar a apertar?”. A criança teria o papel inicialmente só de segurar na mão do adulto enquanto o observaria a apertar botão.

8. Ajuste o grau do desafio das solicitações de acordo com o estágio de desenvolvimento, com a resposta e com a motivação da criança no dia​

Por exemplo, se estiver a solicitar uma palavra à criança, mas perceber que esta é uma solicitação com um grau alto de desafio, pensar em solicitações que sejam mais fáceis para ela, como por exemplo, partir a palavra, pedindo a primeira sílaba. Ou então se perceber que a palavra solicitada está muito fácil para ela, poderá ajudá-la a falar uma outra palavra com letras que ela ainda não fala ou falar duas sílabas ou frases de duas palavras “quero cócegas”.

9. Pause a ação motivadora para que a criança tenha um motivo para comunicar algo ou responder à solicitação

Afastar-se um pouco da criança deixará mais evidente que este é o momento da pausa e que com ele virá a solicitação do papel da criança.

10. Proporcione tempo prolongado para que a criança responda à sua solicitação

Caso ofereça um tempo de pausa prolongado após a solicitação e ela não responda, volte a oferecer a ação motivadora para ver se ela gostaria de continuar a atividade. Observe o estado de disponibilidade e se será necessário ajustar o grau do desafio.

11. Comemore o esforço e as tentativas da criança de formas variadas​

Use comemorações com face, voz e corpo ajustadas à forma como ela demonstra aceitar melhor naquele dia. As comemorações aumentam as probabilidade de a criança repetir o seu papel no próximo ciclo.

Comemore descritivamente as iniciativas ou respostas da criança e explique o que ela fez que o levou a oferecer novamente a ação motivadora. Exemplo: Carolina, que lindo! Disse-te “có”, agora o monstro das cócegas vai voltar ainda mais divertido para fazer a brincadeira das cócegas”; Ou então explicações mais curtas e simples “Disses-te “có” e eu encho-te de cócegas!”.

12. Seja persistente

Persistência X Insistência: ​Quando persistimos oferecemos a mesma atividade de formas variadas, ou explicamos algo oferecendo estímulos diversos e procurando a forma que mais será aceita ou melhor compreendida pela criança. Quando insistimos, damos a explicação sempre da mesma maneira, com a mesma frase, ou então oferecemos a brincadeira sem modificar nada nela. Seja persistentemente divertido!

13. Ao observara atividade da criança, pense qual o papel que poderá ter quando ela demonstrar interesse em si​

Ao invés de solicitar algo ou fazer perguntas, tente ser útil para ela. Nem sempre a criança estará aberta para aceitar novas atividades propostas. Pode valorizar a atividade que ela já estiver a fazer e pensar em como pode ter um papel divertido nessa brincadeira. Por exemplo, se a criança estiver a andar e olhar para si, poderá correr atrás dela iniciando uma brincadeira de apanhadas.

Divirta-se com a sua criança! Seja o seu brinquedo favorito! Mostre-lhe quão agradável e divertida pode ser a interação humana!

 

Modelo Autism Rocks!, adaptado do livro “Vencer o Autismo” com o The Son-Rise Program de Raun Kaufman