Estigma do autismo: como é que afeta a saúde mental da comunidade com Autismo?

Os investigadores de sociologia procuram compreender a ligação entre o estigma social e a autoestima naqueles que estão no espectro do autismo.

Houve uma mudança no pensamento contemporâneo em torno das pessoas com autismo e as suas respetivas variantes, incluindo a Síndrome de Asperger e o autismo de Alto funcionamento (AAF). Adultos com perturbação do espetro do autismo recebem menos de 1% do financiamento da pesquisa sobre o autismo nos Estados Unidos e no Reino Unido.

Este tipo de organismo é crucial no combate ao estigma do autismo que muitos adultos e crianças com autismo continuam a enfrentar, o que inclui fatores de stress sociais, discriminação casual e estigma internalizado. Esses fatores de stress podem levar ao aumento das taxas de problemas de saúde mental nessa nova e consciente “neuro-minoria” dos membros da comunidade com autismo.

Como é que os fatores de stress diários afetam a saúde mental em pessoas com autismo?

Investigadores da Universidade de Surrey, no Reino Unido, quiseram demonstrar como os fatores de stress diários podem influenciar futuros problemas de saúde mental em pessoas com autismo, com recurso à teoria do stress das minorias – ou, talvez, neuro-minorias.

A teoria do stress das minorias é usada para ajudar a explicar as diferenças na qualidade da saúde entre um grupo maioritário e um grupo minoritário estigmatizado; foi selecionada de estudos de minorias sexuais e étnicas para se encaixar neste estudo. A teoria encaixa-se bem como um indicador de saúde mental a este respeito dado o estigma aparentemente embutido que as pessoas com autismo possuem em comparação com a maioria dos adultos e crianças com cognição normal.

Os investigadores utilizaram um inquérito online para testar a hipótese do estudo de uma relação entre os fatores de stress das minorias e resultados mais pobres em termos de saúde mental. Um total de 111 participantes com 18 anos ou mais foram selecionados para a amostra final e foi-lhes feita uma panóplia de perguntas, como informações demográficas, eventos recentes de stress na vida, casos de vitimização ou discriminação.

Os participantes também foram inquiridos em relação a questões específicas mais relacionadas com o estigma do autismo, como as expectativas de rejeição e “outness” dos sujeitos (em que medida as pessoas do espetro revelavam a sua condição aos seus pares, colegas e prestadores de cuidados de saúde). Também foram feitas perguntas sobre sentimentos internos de estigmatização e bem-estar geral. Foram utilizados escalas e índices para categorizar as respostas em cada área de questão e os resultados foram publicados na Society and Mental Health.

A expectativa de discriminação ou a falta de sistemas de apoio podem aumentar o stress

Os dados da pesquisa sugeriram que a experiência do AAF e da Síndrome de Asperger acrescentou stress quando associada à teoria do stress de minorias, o que vai além dos efeitos que o stress geral da vida pode ter na saúde mental. Especificamente, em paralelo com os casos de discriminação quotidiana, a expectativa de rejeição das pessoas com autismo pode aumentar – embora seja necessária mais investigação para solidificar esta associação – bem como a “outness” não reclamada.

Aqueles com AAF podem não ter um ambiente seguro ou um sistema de apoio para saber como comunicar a sua perturbação, aumentando ainda mais o stress. A partir das respostas ao inquérito, os investigadores oferecem apoio preliminar de que o modelo de stress de minorias pode ser útil na compreensão dos problemas de saúde mental enfrentados pelas pessoas com perturbações do espectro do autismo.

A necessidade de encontrar um relação causa-efeitos mais profunda para abordar a saúde mental das populações com Autismo

O estudo foi limitado pelo facto de não ter sido necessário um diagnóstico real de autismo para a participação e a teoria do stress de minorias pode não ser um bom ajuste entre comunidades minoritárias. As mulheres também foram desproporcionalmente representadas neste estudo, embora os investigadores tenham comentado que estes dados podem ser positivos, uma vez que os homens estão geralmente sobre-representados na investigação sobre o autismo.

Os investigadores também observaram que, embora este estudo tenha sido introdutório, são necessárias pesquisas contínuas para encontrar causas e efeitos mais profundos para abordar as necessidades de saúde mental das populações com autismo em todo o mundo.

Cooper Powers, BSc

 

Fonte: https://www.medicalnewsbulletin.com/autism-stigma-mental-health/

Traduzido por: Sara Pereira