Estigma social contribui para uma saúde mental precária na comunidade com Autismo

22 de outubro de 2018, Universidade de Surrey

O stress ligado ao estigma social pode ser a razão pela qual as pessoas com autismo experienciam mais problemas de saúde mental do que a população em geral, dissipando teorias passadas de que a própria condição é a origem de tal sofrimento.

No primeiro estudo deste tipo, publicado no Journal of Society and Mental Health, os investigadores da Universidade de Surrey e da University College London examinaram como o stress ligado ao estigma social, como a discriminação e a rejeição, afeta a saúde mental de pessoas dentro do espetro.

Os investigadores que testaram a “teoria do stress das minorias” realizaram uma pesquisa online com 111 participantes que se estavam dentro do espetro do autismo, para avaliar os fatores de stress que se pensava levarem a um declínio na sua saúde mental. O stress das minorias descreve níveis cronicamente altos de stress vividos por membros de grupos minoritários estigmatizados, que os investigadores acreditavam que também se aplicariam a pessoas com autismo.

O inquérito abrangeu seis áreas-chave do stress das minorias, incluindo “vitimização e discriminação” e “outness“, que avaliaram em que medida as pessoas do espetro revelavam a sua condição aos seus pares, colegas e prestadores de cuidados de saúde. Outras áreas investigadas incluíram a “discriminação diária”, a “expectativa de rejeição”, a “ocultação física” e o “estigma internalizado”. Os investigadores testaram o grau em que a exposição a esses fatores de stress de minorias teve um impacto negativo sobre a saúde mental dos participantes na forma de stress psicológico e declínio no bem-estar.

Pela primeira vez, os investigadores constataram que o stress social relacionado com o estigma vivenciado pelas pessoas no espectro do autismo era preditivo de níveis mais elevados de sofrimento psicológico e níveis mais baixos de bem-estar emocional, psicológico e social. É importante afirmar que a pesquisa mostra que essas formas únicas de stress de minorias podem explicar os problemas de saúde mental das pessoas com autismo para além dos efeitos das formas gerais e quotidianas de stress não relacionadas com o estigma. O stress das minorias pode ser abordado através de uma melhor educação e compreensão da comunidade autista.

Pesquisas anteriores nesta área descobriram que pessoas com autismo são mais propensas do que as pessoas não dentro do espetro a morrer por suicídio, enfatizando a necessidade urgente de apoio adicional à saúde mental para este grupo. Informações recolhidas a partir desta pesquisa poderiam ajudar a transformar a abordagem adotada para prevenir a falta de saúde mental em pessoas com autismo, com foco na reforma social e educacional nas sociedades.

A autora principal, Monique Botha, uma investigadora pós-graduada da Universidade de Surrey, disse: “Tradicionalmente, acreditava-se que o autismo e a saúde mental débil estavam intrinsecamente ligados, mas não é esse o caso. Estes resultados mostram que a má saúde mental das pessoas com autismo está, em vez disso, diretamente relacionada com a exposição ao stress social, que vai além dos efeitos do stress quotidiano que são vivenciados por outros.

“Esta perceção dá-nos uma melhor compreensão da razão pela qual as pessoas com autismo podem ser mais propensas a ter uma saúde mental degradada e vai transmitir maneiras de reduzir esse stress. Sugere que a tomada de medidas no âmbito da sociedade para combater a discriminação pode reduzir significativamente as taxas de saúde mental precária e, portanto, de suicídio na população com autismo.”

 

Fonte: https://www.sciencedaily.com/releases/2018/10/181022122910.htm

Traduzido por: Sara Pereira