Porque tem o meu filho com autismo múltiplos diagnósticos?

É muito comum no autismo, uma criança receber mais do que um diagnóstico, o que acaba por ser ainda mais confuso para os pais e o que muitas vezes poderá não estar a ajudar a criança.

Geralmente, com o autismo vêm igualmente diagnósticos de hiperatividade, défice de atenção, TOC, transtorno de processamento sensorial, entre outros…

Mas porquê que isto acontece?

Sendo um autismo um distúrbio no desenvolvimento, este afecta várias áreas em simultâneo e os sintomas podem ser muito variados e variar muito de criança para criança. Estes sintomas podem se revelar sobre diversas formas, tais como: comportamentos repetitivos que se podem assemelhar a um transtorno obsessivo-compulsivo, falta de atenção para certas e determinadas coisas, atrasos na linguagem e dificuldade na interação, acumulação de muita energia, entre outros…

O diagnóstico do autismo ainda é algo que levanta muitas dúvidas. Existe ainda uma dificuldade muito grande em diagnosticar e diagnosticar cedo para possibilitar uma intervenção precoce. Acreditamos que isto ainda acontece por falta de informação e por ser um espetro muito abrangente e diverso.

No meio desta variedade e diversidade, o que acaba por acontecer, é que a criança recebe uma multitude de diagnósticos para corresponder aos diversos sintomas que apresenta. Mas na verdade, na maior parte das vezes, esse conjunto de sintomas está efetivamente ligado às Perturbações do Espetro do Autismo.

Qual o perigo dos múltiplos diagnósticos?

Como descrito de forma tão explícita e clara na revista Very Well Health, o problema destes múltiplos diagnósticos podem ser muitas vezes os seguintes:

  • Um médico poderá diagnosticar um Síndrome de Asperger para justificar as dificuldades de socialização e comunicação, mas diagnosticar uma Perturbação de hiperatividade com défice de atenção (PHDA) para justificar os défices de atenção. Assim, é ignorado o facto do défice de atenção poder ser consequência de problemas sensoriais ou de comunicação relacionadas com o Síndrome de Asperger, e pode ser dado à criança Metilfenidato, também conhecida como Ritalina, ou qualquer droga similar, sem qualquer necessidade.
  • Um médico poderá dar um diagnóstico de autismo juntamente com um diagnóstico de ansiedade social (fobia social), ignorando o facto da ansiedade social poder ser resultado do autismo. Como consequência, poderão ser dados à criança inibidores selectivos da recaptação da serotonina  (ISRS ou SSRI), frequentemente usado para tratar depressões, mas também usado para problemas de ansiedade, enquanto o ambiente que está a causar verdadeiramente a ansiedade pode não estar a ser abordado.
  • Um médico pode diagnosticar uma criança com autismo com Perturbação de oposição e desafio, também conhecido como transtorno desafiador opositivo (TOD), sem verificar atentamente o que é que está a causar o comportamento de oposição da criança. Como resultado, a criança pode ser colocada numa turma de crianças com distúrbios emocionais, quando melhores apoios e ferramentas para o controlo da ansiedade tornariam a sua integração possível.

Na Vencer Autismo, aconselhamos sempre os pais a focarem-se nos desafios da crianças antes de qualquer diagnóstico. E irem trabalhando desafio a desafio, naquilo que a criança naquele momento precisa de ajuda.

É importante que os pais estejam consciencializados que os múltiplos diagnósticos podem, ou não, ser apropriados. O seu filho com autismo pode, de facto, ter vários transtornos, mas também é possível que todos os sintomas que o seu filho apresenta estejam enquadrados nas Perturbações do Espetro do Autismo, e que as intervenções existentes para o autismo cubram todas as necessidades da sua criança, sem ser necessário introduzir outras formas de tratamento.

 

Fontes:

https://www.verywellhealth.com/who-should-diagnose-autism-spectrum-disorders-260333