O meu filho foi diagnosticado com Autismo e agora?

Autismo, o diagnóstico que você esperava que o seu filho nunca tivesse.

Sabemos que para a maioria dos pais, o momento que se segue ao diagnóstico pode ser muito doloroso. Começam a surgir as questões, os medos, as dúvidas, os receios. Gostaria acima de tudo que o seu filho tivesse uma vida normal, igual à dos outros, que fosse feliz, ultrapassasse as várias etapas, fizesse amigos e se sentisse realizado.

Mas desde que recebeu o diagnóstico, teme pelo seu futuro, teme que tudo o que tenha idealizado ou desejado para ele não venha a acontecer. Preocupa-se com o futuro do seu filho, mas também com todo o futuro da sua família, o que isso irá implicar ou que mudanças irão trazer.

A maior parte dos pais questiona-se o que terão feito de errado. Terá sido culpa minha? Alguma negligência durante a gravidez, ao longo da infância…? Será isto consequência de algo de errado que fiz noutra vida? E todas estas questões ou pensamentos são válidos e completamente normais. Está prestes a iniciar uma linda caminhada e todos os passos e etapas são importantes e fazem parte. Permita-se aceitar esse sentimento de tristeza que o invade, esse medo e receio do que está para vir, permita-se fazer o luto e aceitação desta nova fase da vossa vida.

Permita-se Chorar. É normal as suas emoções estarem como se estivessem numa montanha russa. Poderá sentir perda, negação, depressão, raiva e por aí em diante… Tudo é legítimo, pois afinal está a passar pela experiência de perda da parentalidade que achava que iria ter ou da qual idealizava. Lembre-se que tem direito a ter os seus sentimentos, sejam eles bons ou maus e dê-se o tempo necessário para lidar com essa montanha russa de emoções. Tome o tempo necessário para lidar com elas da melhor forma, para depois sim poder ajudar o seu filho.

Comece a dar prioridade à criação de relação com o seu filho vs tentar ensinar-lhe todas e mais algumas competências que considere que estejam em “falta” ou em “atraso” no desenvolvimento. Defina as suas prioridades de forma clara, dê esse controlo a si mesmo. Acredite e confie nas suas decisões, não duvide das suas escolhas, como a sua prioridade primordial ser a criação de uma relação com o seu filho. De facto, a prioridade principal de toda a família deve ser a relação com o seu filho.

Abrace o seu papel de defensor, e de que é a melhor pessoa para defender o seu filho. Existem muitos especialistas em autismo, mas você é O especialista do seu filho. Conhece-o melhor do que ninguém, saberá o que é melhor para ele e não há ciência nenhuma que bata isso. Será a voz do seu filho, até que ele tenha a voz dele.

Não coloque limites ao potencial do seu filho. Alguns especialistas podem-lhe dizer com as melhores das intenções qual o melhor, ou o que deve ou não fazer ou o que ele irá ou não conseguir. Mas lembre-se… Diagnóstico não é destino. Irá ouvir, ou já terá ouvido certamente, muitas crenças sobre os limites das capacidades do seu filho, o que ele irá ser capaz ou não de atingir. Certamente já terá ouvido para não ter grandes esperanças, que o seu filho nunca falará, nem irá aprender a ler ou escrever, que nunca lhe dirá que o ama.

Não se foque nos limites estabelecidos pelos especialistas que não conhecem o seu filho. Nenhum deles tem uma bola de cristal para lhe poder dizer com toda a certeza o que irá ou não conseguir. E o melhor que pode fazer para ajudar o seu filho, é manter a sua mente aberta e dar-lhe a oportunidade de lhe mostrar do que é capaz.

Aceite o seu filho como é. Crie uma ligação com ele desde o ponto de vista dele. Observe-o, veja o que gosta, o que lhe capta a atenção. Junte-se a ele, tente descobrir um pouco mais do seu mundo. Faça o ponto de partida indo ao encontro do ponto onde ele hoje está.

Olhe para ele de outra perspectiva. Tente-se livrar de todos os preconceitos e ideias pré-concebidas incutidas pela sociedade. Sabemos o quão tentador pode ser tentar “livrar-se” do comportamento menos adequado muito característico ao espectro do autismo. Mas esta opção de ir contra ele vs ir na onda dele, pode ser muito frustrante e pouco produtiva para ambos.

Quando nos focamos na alteração do comportamento, na maior parte das vezes enfraquece as relações. Tal e qual como nas nossas relações do dia-a-dia, sejam elas com o nosso companheiro, amigos, familiares… Foque-se antes na criação de relação, abraçando o que o seu filho é, sem julgamentos vs focar-se na mudança do seu “estranho” comportamento. Faça o primeiro passo de entrar no seu mundo, para ele depois poder entrar no seu. Qual a melhor forma de o convidar a vir conhecer o seu, a não ser dar o primeiro passo e mostrar-lhe o exemplo?

E uma das grandes vantagens deste tipo de abordagem baseada na relação é dar espaço para poder envolver toda a família. Não tem de se esquecer do seu marido/companheiro, ou outros filhos. Todos eles podem fazer parte desta viagem, todos eles podem construir esta relação com o seu filho. Todos vocês podem-se focar na construção desta relação que servirá de ponte do mundo do seu filho, para o vosso. Em vez de ser uma família que está a ser destruída pelo autismo, podem ser uma família que se junta, é reforçada e enriquecida pela adversidade.  Dêem as mãos e abracem esse caminho juntos. O que podem vir aprender e a viver pode ser simplesmente incrível.

Não se esqueça de si, de se cuidar, de tomar tempo também para si. Sabemos que esta caminhada não é fácil, estará cheia de altos e baixos. É um trabalho árduo e será mais fácil se também conseguir descansar, alimentar-se e juntar-lhe um pouco de sentido de humor. Dê os passos necessários para cuidar de si. Fale com outros pais, consulte um terapeuta, medite, faça coisas que lhe façam bem. Uns dias serão mais complicados que outros mas foque a sua energia no que importa.

E por fim, mantenha a esperança. Um diagnóstico de autismo não é um destino. É um começo, um ponto de partida e pode aprender as ferramentas que necessita para construir uma relação com o seu filho com o quem ele é neste momento, e ajudar a construir uma ponte para um futuro melhor do que aquele que alguma vez imaginou.

Amar é aceitar incondicionalmente, Amar é aceitar sem condições. E sem dúvida que o amor é a resposta. Siga o caminho do seu coração.

 

Com amor,

Vencer Autismo