Autismo

O que é Autismo

Desde a Vencer Autismo dedicamos grande parte dos nossos recursos a informar sobre o que é o autismo, consciencializando sobre esta realidade esclarecendo o falso estigma negativo que há a volta do autismo e o seu prognóstico futuro.  Também publicamos técnicas concretas e dicas específicas para que possam ser imediatamente aplicadas por pais, profissionais e outros educadores.

Todas as pessoas com autismo partilham determinados desafios, mas sentem-nos de maneiras diferentes.  Trata-se de uma condição de espectro: Algumas têm dificuldades na aprendizagem, outras na escrita, na fala, ou na socialização… assim, pessoas diferentes precisam de diferentes níveis de suporte.

Acreditamos que todas elas podem aprender e se desenvolver – todos podem ser ajudados a viver uma vida mais gratificante e da sua própria escolha.  As causas do autismo ainda não são conhecidas.

Aproximadamente 1% de todas as crianças do mundo têm autismo.  Nos EUA são 1 em cada 68, no Reino Unido são 1 em cada 100… Pode afectar pessoas de todas as nacionalidades e origens culturais, religiosas e sociais, embora pareça afectar mais homens do que mulheres (4 homens por cada mulher).

Caracteristicas do Autismo

Acreditamos nas possibilidades de todas e de cada uma das crianças com autismo.  Uma vez que não conseguimos prever o futuro… não vamos definir à partida o que eles não irão conseguir. 

As pessoas com autismo veem, ouvem e sentem o mundo de uma forma diferente.  Algumas dizem que o mundo se sente esmagador e isso pode causar-lhes  ansiedade. Em particular, a compreensão e relacionamento com outras pessoas, e participar em família todos os dias, na escola, no trabalho e na vida social, pode ser mais difícil.

Frequentemente as pessoas com autismo são incompreendidas, por medo ou por desconhecimento da realidade que eles estão a viver.

Sensibilidade sensorial

As pessoas com autismo podem experimentar excesso ou falta de sensibilidade a sons, ao toque, paladar, a cheiros, luz, cores, temperaturas ou dor.  Elas podem, por exemplo, fixar-se num som, que as outras pessoas ignoram ou bloqueiam, e que para elas é insuportavelmente alto ou perturbador.  Isso pode causar ansiedade ou mesmo dor física.  Podem também ficar fascinados por luzes ou por fazer rodar ou alinhar objetos.

Interação social

Eles têm muitas vezes dificuldade em “ler” outras pessoas – reconhecer ou compreender sentimentos e intenções dos outros – assim como também expressar as suas próprias emoções.  Isso pode fazer com que navegar pelo mundo social seja muito difícil para eles. Eles podem parecer ser insensíveis, parecer que procuram ficar mais tempo sozinhos quando estão sobrecarregados por outras pessoas. Podem não procurar ajuda nas pessoas que os rodeiam e podem parecer comportar-se ‘estranhamente’ ou de uma forma “socialmente inapropiada”.  Tambem pode ser difícil fazer amizades. Alguns podem querer interagir com outras pessoas e fazer amigos, mas podem ter dificuldades na abordagem e manutenção da amizade.

Comportamento repetitivo e rotinas

O mundo pode ser um lugar muito imprevisível e confuso para as pessoas com autismo, por isso é que muitas vezes preferem ter uma rotina diária de modo a que consigam prever o que vai acontecer todos os dias.  Eles podem querer ir sempre pelo mesmo caminho para a escola; viajar sempre da mesma forma para o trabalho, ou comer exatamente a mesma comida ás refeições.

As pessoas com perturbação do espectro do autismo (PEA) podem não se sentir confortáveis com as mudanças, mas podem aprender a lidar melhor com as alterações, melhorando a sua flexibilidade.

Interesses altamente focados

Muitas delas têm interesses intensos e altamente focados, muitas vezes a partir de uma idade bastante jovem. Podem mudar ao longo do tempo ou manter-se ao longo da vida, e pode ser qualquer coisa desde arte ou música, comboios ou computadores. Um interesse pode às vezes ser incomum.

Muitos canalizam seu interesse no estudo, no trabalho, no voluntariado, ou noutra ocupação significativa. Pessoas com autismo frequentemente relatam que o exercício de tais interesses é fundamental para o seu bem-estar e felicidade.

Comunicação social

As pessoas com autismo têm dificuldades para interpretar linguagem verbal e não-verbal, como gestos ou tom de voz. Muitos têm uma compreensão muito literal da linguagem, e tudo que ouvem é interpretado como verdade absoluta. Para as pessoas com PEA pode ser difícil usar ou compreender expressões faciais, tom de voz, gracejos e sarcasmos.

Alguns podem não falar, ou podem ter um discurso limitado, podem ter dificuldades com a imprecisão ou conceitos abstratos. As vezes usam meios alternativos de comunicação, como a linguagem gestual ou símbolos visuais (PECS).

Muitos têm um vocabulário rico e conseguem expressar-se por frases, mas podem ter dificuldade para entender as expectativas dos outros durante conversas, muitos acabam por repetir o que a outra pessoa acabou de dizer (ecolália) ou falam sem parar sobre os seus próprios interesses.

Muitas vezes ajuda se falamos de uma forma clara, consistente e se lhes dá-mos tempo para que processem o que lhes foi dito.

Diagnóstico

Um diagnóstico é a identificação formal do autismo, habitualmente feito por uma equipa multidisciplinar, muitas vezes incluindo um terapeuta da fala, um pediatra, psiquiatra e/ou psicólogo.

A importância de um diagnóstico precoce

Quanto mais precocemente uma criança for diagnosticada mais rapidamente se pode iniciar o trabalho e por conseguinte mais rapidamente ela poderá avançar. Na realidade não é necessário ter um diagnóstico para começar a trabalhar com estas crianças.  Uma criança com autismo pode melhorar mais e mais rapidamente quanto mais cedo se começar a abordagem.

Causas

A causa do autismo está ainda a ser investigada.  A investigação sobre as causas sugere que pode existir uma combinação de fatores – genéticos e ambientais – que podem ser responsáveis pelas diferenças de desenvolvimento. O autismo não é causado pela educação de uma pessoa,  nem são as circunstâncias sociais a causa da condição do individuo.

Existe uma cura?  Não há uma “cura” para o autismo como se de um comprimido se tratasse.  No entanto, há uma série de estratégias e abordagens – métodos que viabilizam a aprendizagem e o desenvolvimento – e que os pais, profissionais e outros cuidadores podem encontrar para ajudar no desenvolvimento da criança.

Ròtulos do Autismo

Dentro do espectro do Autismo encontramos diferentes rótulos e diagnósticos: Autismo, Perturbação do espectro do autismo (PEA),  Autismo clássico, Pervasive Developmental Disorder (PDD), Autismo de alto funcionamento (HFA – High Functioning Autism) e Síndrome de Asperger.  Devido às mudanças recentementes efectuadas na terminologia, actualmente, “Perturbação do espectro do autismo – PEA” ou Autism Spectrum Disorders (ASD) parece ter-se tornado na designação mais comum para o diagnóstico.

Como pode ajudar?

Caso esteja sensibilizado pela causa do autismo, pode ajudar as pessoas com autismo e suas famílias da seguinte forma:

  • Espalhando a compreensão sobre o autismo
  • Voluntariando-se em algum dos nossos centros, nos nossos escritórios ou desde casa
  • Doando para que possamos continuar a consciencializar e oferecer informação, ferramentas e técnicas para milhares de pessoas de forma gratuita
  • Captando recursos financeiros e não financeiros para a nossa causa