Formas de Ajudar o seu Filho a Se Integrar Socialmente

 

Por Lisa Jo Rudy

A maioria das crianças com autismo têm dificuldades em se adaptarem com outras crianças. De facto, como os sintomas centrais do autismo incluem dificuldades nas comunicações sociais, os problemas sociais são quase inevitáveis. Mas, apesar do seu filho com autismo nunca poder ser o rei ou rainha do baile (embora nada seja impossível), há alguns passos concretos que pode tomar como pai para ajudar o seu filho a dar um sentido às expetativas das pessoas ao seu redor.

Ensine o seu Filho a Falar com uma Criança

Os terapeutas sociais e da fala têm boas intenções, e muitas vezes fazem bem. Mas a maior parte dos terapeutas são mulheres. E a maior parte das crianças com autismo são rapazes. Como tal, é comum ouvir meninos com autismo falar de forma estranha como se fossem mulheres adultas. “Como está hoje?” “É um prazer conhecê-lo.” “Como foi o seu fim de semana?”

Apesar de frases como estas preparem o seu filho para o futuro, elas irão colocá-lo em desvantagem no parque infantil. Portanto, ouça as sessões de terapia, faça sugestões e, sempre que possível, ajude o seu filho, ensinando-o (ou, idealmente, tendo outras crianças a ensiná-lo) a falar como uma criança. As crianças não dizem “Muito obrigado por este belo presente”. Elas dizem “Uau, isto é tão fixe. Obrigado!”

Ensine o seu Filho a Brincar

Como pai, você terá notado que o seu filho, se quiser brincar, prefere fazê-lo sozinho. Brincar sozinho não é um problema em si, mas para o seu filho participar em qualquer tipo de brincadeira em grupo, ele precisará das habilidades para fazê-lo.

Por que as brincadeiras interativas são tão difíceis para crianças com autismo? Para começar, poucas crianças com autismo observam e imitam ativamente outras crianças ou pais ou até mesmo os seus filmes favoritos. Então, enquanto outras crianças estão a brincar “às casinhas”, ou a fazer de conta que são super-heróis, crianças com autismo constroem torres com Legos. Enquanto outras crianças “alimentam” os seus bonecos ou animais de peluche, as crianças com autismo estão sempre a resolver os mesmos puzzles várias vezes.

A atividade que o seu filho escolhe fazer sozinho não é errada ou má, mas é limitante. E sem habilidades para brincar, o seu filho não terá a capacidade de escolher a inclusão, se for correto para ele.

Você pode tornar-se o professor do seu filho, instruindo-o na arte de brincar. O Floortime e a Intervenção ao Desenvolvimento de Relacionamentos (IRD) são duas técnicas terapêuticas que os pais podem usar para incentivar uma brincadeira simbólica; alternativamente, você pode seguir a sua própria imaginação. Seja como for, o seu objectivo é o de ensinar o seu filho a fingir, a brincar – o que é igualmente importante – a comunicar com os outros através do brincar, seja verbalmente ou não verbalmente.

Ensine o seu Filho Habilidades de Deportos Básicos e Termos Desportivos

Frequentemente, as crianças com autismo passam os seus dias na escola e as suas tardes e noites em terapia. Ao contrário de outras crianças, eles têm poucas oportunidades de aprender habilidades desportivas básicas ou termos. Nos fins de semana, quando outras crianças podem jogar à bola com os seus pais ou irmãos, as crianças com autismo são geralmente postas de lado – ou envolvidas com atividades terapêuticas ou incapazes de acompanhar fisicamente as outras crianças que estão em desenvolvimento.

Claramente, o resultado é que as crianças com autismo são deixadas para trás quando se trata de informações básicas, como “uma bola de basebol é menor que uma bola de futebol”, ou termos como golo, touchdown, drible ou atirar.

Quando uma criança com autismo tem idade suficiente para ser incluída em desportos de equipas – até mesmo desportos de equipas “especiais” – ele ou ela está tão atrás das outras crianças que não há quase nenhuma maneira de os alcançar. Imagine uma criança de oito anos que não entende o objeto do jogo de futebol, ou uma criança de nove anos que nunca ouviu falar de “encestar”. Sim, ele ou ela poderia correr nas linhas laterais, mas enquanto outras crianças têm estado a assistir, a participar em desportos desde crianças, e a praticar em casa, as crianças com autismo não tiveram nenhuma dessas vantagens. E isso some às questões do autismo que vão desde da má tonificação muscular, à dificuldade em processar as instruções de um treinador.

Você, como pai, pode corrigir esta situação ao assumir a responsabilidade de ensinar, de forma ativa, habilidades desportivas básicas ao seu filho. Pode decidir ensiná-lo a controlar uma bola ou termos desportivos, ou pode decidir escolher um desporto que ambos gostem e que não envolve equipas (caminhadas, pescar, nadar, etc.). De qualquer forma, pode dar ao seu filho um avanço e prepará-lo para o compromisso social fora da escola.

Ensine o seu Filho a como estar num Parque Infantil

Ninguém é imune às políticas do recreio, quanto mais uma criança com autismo. Mas pode ajudar o seu filho com autismo a estar num parque infantil, visitando parques infantis juntos ou com irmãos e amigos, e praticando alguns dos comportamentos esperados. É importante entender que os supervisores dos parques infantis podem não ensinar estas habilidades, já que estes assumem que “as crianças sabem destas coisas.” Algumas habilidades-chave incluem:

  • Ensine o seu filho a esperar em linha (deslize pelo escorrega; em seguida, vá para trás da fila e aguarde a sua vez);
  • Ensine o seu filho a balançar (ele aprende a empurrar-se em vez de esperar que um adulto o faça);
  • Ensine ao seu filho as técnicas de escalada seguras e divertidas (tenha sempre duas mãos e um pé ou dois pés e uma mão na estrutura de escalada, etc.);
  • Ensine o seu filho a pedir ajuda a um adulto quando necessário.

Ensinar o seu filho com autismo as habilidades, vai-lhe dar habilidades-chave para se encaixar e para se envolver com outras crianças.

Fonte: https://goo.gl/D8oADi

Traduzido por: André Costa