Formas como uma dieta livre de glúten pode ajudar crianças com autismo

 

Ensaios clínicos recentes que analisam dietas livres de glúten para crianças com perturbação do espetro do autismo  mostram benefícios relevantes.

Indicadores típicos do espetro do autismo em crianças podem incluir atraso no desenvolvimento da fala, ausência de contacto visual, dificuldade ou ausência de capacidades sociais, timidez, comportamento obsessivo, atraso nas capacidades motoras, problemas na integração sensorial (sensibilidade ao som e ao toque, etc.) e mudanças de humor.

No entanto, muitas das condições físicas e médicas que muitas destas crianças enfrentam são frequentemente ignoradas.

Muitas destas crianças têm, igualmente, alergias alimentares e eczema, problemas gastrointestinais, intestinos presos e diarreia, candidíase, desregulações no sistema imunitário e distúrbios de sono.

Apesar de não existir uma “dieta para autismo” específica, a eliminação do glúten (proteína encontrada em vários cereais, incluindo cevada, centeio e trigo) e da caseína (proteína encontrada nos produtos lácteos) tem mostrado ser bastante benéfica. É estimado que até 80% das crianças irão beneficiar com esta alteração na dieta, quando seguida rigorosamente.

Os ensaios clínicos sobre intervenções nutricionais encontram-se em crescimento e revelam ser prometedores no que toca aos benefícios em relação aos sintomas principais do autismo. Um ensaio clínico específico, publicado em novembro de 2016, mostrou que a eliminação do glúten na dieta provocou uma “diminuição significativa” na permanência de problemas gastrointestinais, tal como uma “diminuição significativa” nos comportamentos associados ao autismo (tendo sido utilizada a comparação com um grupo de controlo).

A pesquisa sugere que o revestimento do intestino se torna inflamado e comprometido devido a uma combinação de bactérias nos intestinos prejudicial para a saúde. Estes microrganismos são conhecidos como microbiomas. Muitos fatores podem causar esta inflamação, incluindo certos alimentos, fatores ambientais e o uso exagerado de antibióticos e outros medicamentos.

Esta inflamação conduz a uma condição conhecida como “Síndrome do Intestino Permeável”, ou híper-permeabilidade intestinal. Quando a barreira intestinal é comprometida, glúten e proteínas caseínas parcialmente digeridas conseguem passar pela corrente sanguínea e, eventualmente, alcançar o cérebro. Verificou-se que estas proteínas têm uma estrutura química semelhante à dos opioides, que se conseguem ligar a recetores de opioides no cérebro e causam interferência em sinais cerebrais específicos. Consequentemente, podem surgir alguns dos comportamentos autistas típicos.

A maior parte das crianças com autismo já segue uma dieta limitada, pelo que estas mudanças dietéticas podem parecer inalcançáveis. No entanto, há várias formas de tornar estas mudanças bem-sucedidas. Adicionalmente, um progresso importante que a maior parte dos pais vê ao remover o glúten e a caseína da dieta das crianças é a expansão de outros alimentos que estas começam a poder comer.

É importante eliminar certos alimentos prejudiciais, no entanto muitas destas crianças também necessitam de diversos nutrientes críticos. A inflamação no tubo digestivo pode impedir nutrientes de serem absorvidos. Falar com uma nutricionista clínica pode ajudar a certificar que nutrientes adequados e cruciais estão a ser ingeridos.

 

Fonte: https://goo.gl/3n3QV4

Traduzido por: Sofia Dias