Ajudar a nossa criança a lidar calmamente com a transição de ambientes ou atividades

Se a sua criança tem tendência a reagir com comportamentos indesejado na transição de ambientes ou de atividades, este artigo é para si! A boa notícia é que sempre que estes comportamentos (como o morder, chorar, gritar, beliscar, atirar objetos…) acontecem, são sempre uma excelente oportunidade de crescimento e aprendizagem para a criança!

Uma coisa que é importante termos consciente, é que sempre que estes comportamentos acontecem, são sempre uma forma de comunicação. Acontecem por uma razão e sim… Existe sempre uma razão. O nosso desafio é tentar perceber qual a razão e porque a criança continua a adotar estas estratégias de comunicação… Muito provavelmente porque resultam.

Agora que já percebemos que todo o comportamento é uma forma de comunicação, e depois de perceber como devemos reagir ao comportamento indesejado, que estratégias podemos aplicar para ajudar a nossa criança a reagir de forma mais tranquila e calma na transição de ambientes ou mudanças de atividades?

Ponto número um e essencial… Dar maior previsibilidade. As crianças com autismo precisam de sentir controlo e saber o que vai acontecer. A imprevisibilidade é algo têm dificuldade em gerir e lidar. Vamos então dar sinais atempados à criança do que vai acontecer.

Imagine este exemplo:

Todas as manhãs é muito complicado para a sua criança sair de casa. Minutos antes de sair e quando a informa que vão sair, a criança atira-se para o chão, chora, grita e torna a saída de casa um verdadeiro pesadelo, para si e para ela.

Comece a dar-lhe uma maior previsibilidade dos acontecimentos. Pode dar vários estímulos auditivos como também visuais – tente perceber a que estímulos a sua criança reage melhor.

Voltando ao exemplo de sair de casa, comece por explicar à sua criança 1hora antes o que vai acontecer. Explique em detalhe.

Crie uma rotina para a criança ter um maior controlo e ter tempo de assimilar o que vai acontecer. Para apoiar a sua explicação pode recorrer como mencionado a estímulos tantos visuais como sonoros. Damos alguns exemplos:

1. Estímulos sonoros – pode colocar uma música diferente sempre que faltarem tempos diferentes. Escolha músicas que a sua criança gosta e coloque uma diferente quando faltarem 30, 20, 15, 10, 5 minutos acompanhando com uma explicação (ex: “Olha está a dar “atirei ao pau ao gato”, quer dizer que faltam 30 minutos para sairmos de casa. Que fixe!”) e por aí fora até chegar a hora de ir embora. A música de alarme para saírem de casa até pode ser a música favorita da sua criança e podem por exemplo sair de casa a dançar para celebrar. Falamos em música mas os estímulos sonoros podem ser também sons que a criança goste em particular, pode ser a gravação da voz de alguém que a sua criança goste muito a explicar o que vai acontecer, ou pode ser a sua voz a imitar a voz de uma personagem que a sua criança gosta muito… Esteja atento ao que a sua criança gosta e tente incluir isso neste processo para facilitar a adesão da sua criança.

2. Estímulos visuais – se a sua criança gosta muito de coisas visuais pode recorrer por exemplo a um relógio grande feito especialmente para o efeito que nos vai dizendo os minutos que faltam para sair de casa. O Relógio pode ser o Mickey se a sua criança gostar dele ou outra personagem qualquer do seu interesse. Pode ainda puxar mais pela criatividade e fazer por exemplo um semáforo em que a cor vermelha aparece quando a criança acorda e quer dizer que ainda falta muito tempo para sair de casa (1h), o laranja quando já chegamos a metade do tempo que falta (30 minutos) e o verde, o verde yahouuu é quando podemos finalmente sair de casa. Se a sua criança gostar de novas tecnologias pode fazer a bateria de um telemóvel que vai perdendo a carga à medida que o tempo de sair de casa se vai aproximando e quando ficar sem carga é hora de ir. E o mais divertido é que a criança pode participar desse processo consigo. Convide a criança a mudar a luz dos semáforos, ou a tirar as barras da bateria ou a mudar os ponteiros dos relógios. Pense no que motiva a criança e pense como pode usar essas motivações a seu favor para facilitar o processo.

Pode ainda juntar estes dois estímulos se no caso da sua criança isso for positivo! Seja um detetive e perceba o que funciona com a sua criança e crie um processo que seja divertido para ela, tentando tirar toda a carga negativa que a saída de casa tem sido até então. Se a criança se divertir no processo de sair de casa é algo que vai querer fazer com mais facilidade e espontaneamente, vai ser um momento que vai querer repetir.

Quando colocar estas dicas em prática tenha em atenção um aspecto fundamental… Tenha em atenção que a sua expressão facial e corporal seja coerente com o que diz. Se queremos mostrar à criança como este processo pode ser divertido e se queremos que acredite no que comunicamos convém que toda a nossa expressão facial e corporal acompanhe. Sorrie enquanto fala com a sua criança, deixe os seus olhos brilhar – retire qualquer expressão de receio, frete ou que não transpareça a ideia que está a tentar transmitir.

Algo que também pode fazer para ajudar a sua criança a sentir maior controlo com estas transições, é explicar à criança o que irá acontecer a seguir. Se por exemplo a sua criança for para a escola tente numa fase inicial perceber com a professora como vai ser o dia para poder explicar à criança e dar também essa previsibilidade. Essa explicação pode ser dada com ajuda de uma calendário semanal, em que a criança sabe o que irá acontecer naquele dia. Tente perceber o que a sua criança faz na escola que gosta, para lhe explicar que o irá fazer nesse dia. Por exemplo, imagine que a sua criança adora água e todas as quintas é dia de piscina. Na manhã de quinta antes de sair de casa pode explicar à criança que hoje é o dia que gosta tanto, o da piscina, onde vai poder estar e brincar na água. Tente perceber que atividades do dia irão existir para lhe dar previsibilidade e também vontade e motivação para ir para a escola. Queremos que a criança encontre motivos para querer ir e que a experiência seja igualmente interessante para ela vs ficar em casa. Dependendo da faixa etária e do ano escolar onde se encontra a criança, poderá ainda sugerir às professoras de numa fase inicial, a criança poder levar brinquedos ou jogos que goste para a escola para os poder fazer nesse contexto e ganhar mais motivação em estar lá. Perceba o que a sua criança gosta de fazer quando está em casa e possibilite que isso em alguns momentos também seja possível na escola para facilitar a transição numa fase inicial, até a criança ganhar gosto e gostar de estar no contexto novo.