Comportamentos Desafiantes: causas e como lidar com eles?

Toda o comportamento é uma forma de comunicação. E no caso dos comportamentos desafiantes, estes não são excepção à regra. Existem de facto quatro razões principais para os comportamentos desafiantes:

1. Estão a tentar comunicar algo.

2. Querem ver a nossa reação.

3. Estão a tentar equilibrar a sobrecarga sensorial.

4. Estão es tentar fazer o que acham que os protege.

Quando a criança grita, chora bate, atira objetos, etc… A criança está a usar estes comportamentos porque funcionam. Se a criança começar a gritar, a morder, a beliscar… É porque aprendeu que essa é a maneira de comunicar para conseguir o que quer. Se este comportamento para ela se verificar inútil, vai deixar de o fazer. Por variadas razões, essa forma de comunicação, é a forma de comunicação que a criança consegue usar para comunicar e muitas vezes as nossas reações ou resposta a estes comportamentos têm um papel fundamental para encorajar ou diminuir este tipo de comportamentos.
Comece por analisar, qual a sua reação habitual? Quando a sua criança tem um comportamento indesejado, a sua reação habitual a esse comportamento é hostil ou mostra algum tipo de desconforto da sua parte? Caso a resposta seja afirmativa não se martirize. Não tem mal nenhum, muitos de nós fazemos isso e passamos por isso. O importante é reconhecê-lo.
Ou antes pelo contrário, a sua primeira reação é ficar relaxado, de mente aberta e tranquila e tentar perceber o que a sua criança está a fazer? Não estamos a dizer que a segunda opção é a “certa” mas esta permite-nos estar confortáveis vs stressados e enervados, ter uma mente aberta para percebermos o que se passa e o que levou ao comportamento, e a ter uma atitude acolhedora, sem julgamentos, que servirá de convite para as nossas crianças começarem a comunicar de outra forma.
Parece simples não parece? De facto é mais simples do que muitas vezes parece. Por vezes basta mudar a forma como encaramos e respondemos a estes comportamentos.
O que podemos então fazer para lidar com estes comportamentos indesejados?
Tenha em atenção os seguintes princípios

1. Mantenha a calma. Quando o comportamento aparecer não tenha reação. Sabemos que não é fácil mas mantenha a sua expressão facial e tom de voz neutro. Não grite, não sorrie, não demonstre que está aborrecida com o comportamento. Comece a mover-se lentamente e em silêncio e minimize a sua reação. Ficar chateado ou frustrado e dar ênfase ao que a sua criança está a fazer com explicações do género “não faças isso! isso não se faz! pára de fazer isso!”, na maioria dos casos irá incentivar a criança a fazer mais.

2. Explique numa voz calma e carinhosa que não percebe quando a sua criança tenta comunicar consigo dessa forma. Explique que gostaria muito de ajudá-la mas que assim para si é difícil. Mesmo que a sua criança seja ainda não verbal, a sua explicação é importante e a criança irá ouvi-la.

3. Evite dar o que a criança quer. Se der à criança o que ela quer enquanto está a ter o comportamento indesejado, está inconscientemente a ensinar-lhe que essa é a forma eficaz de comunicação, porque é assim que ela consegue o que quer. Mesmo que saiba o que é, tente evitar cair na tentação de ceder só para ela se acalmar. Pense que está a fazer o melhor para a criança, está a ajudá-la a usar outro tipo de comunicação – um tipo de comunicação que lhe seja realmente útil e que qualquer pessoa consiga entender.

4. Cuide de si. Minimizar as reações não quer dizer que irá deixar que a sua criança lhe bata, morda, arranhe… Tente colocar uma almofada ou uma bola de Pilates à sua frente para se proteger e vá-se movendo lentamente para outro sítio.

5. Ofereça alternativas. Quer-lhe mostrar que a está a tentar ajudar. Imagine que a sua criança lhe está a puxar o cabelo. Ofereça-la por exemplo uma corda para puxar. Se estiver a atirar-lhe peças, ofereça uma almofada para atirar. Se lhe estiver a tentar morder, ofereça uma bola de borracha que dê para ela morder.

6. Sempre que a criança for gentil e lhe fizer pedidos da forma adequada, celebre e expresse reações substanciais e mova-se rapidamente para a criança perceber a diferença entre os dois tipos de comunicação.

7. Entenda as causas do comportamento indesejado. Tente analisar o que acontece antes, durante e/ou depois. Pode existir um padrão e caso esse padrão exista será mais fácil para si prever e/ou antecipar o comportamento indesejado, conseguindo que este não aconteça sequer.

E por último, queremos modelar aquilo que queremos vs ensinar aquilo que não queremos.

Queremos ser o exemplo para a nossa criança e a melhor forma de o fazer é modelar os comportamentos que queremos que desenvolvem vs estar constantemente a chamar-lhes a atenção do que não devem fazer. Imagine este exemplo:

O Gustavo adora a cadela da família e gosta de a abraçar. Mas hoje de manhã a cadela começou a fugir dele e à medida que ela se afastava, o Gustavo tentava bater-lhe.

A abordagem típica para esta abordagem seria começar a repreender dizendo algo do género “não faças isso, isso não se faz!”, “pede desculpa à cadela, ela não fez nada para te magoar!”.

Uma forma de trabalhar e modelar este comportamento seria por exemplo, dirigir-nos calmamente em direção à cadela e em frente ao Gustavo dizer-lhe “Gosto tanto de ti Minnie e vou ser doce para ti e tratar-te com carinho”.

Por vezes dar ênfase ao comportamento negativo traz os resultados opostos. Modelar o que queremos, sem mencionar o comportamento indesejado nem tentar ensinar as razões pelo qual não o deve fazer, pode trazer benefícios a longo prazo.

Isto aplica-se a outros comportamentos, como por exemplo: “olha, desenha neste papel” vs “pára de desenhar nas paredes”, “gosto de abraços doces” vs “pára que me estás a magoar”, etc.