Estabelecer limites

Parte do processo de aprendizagem e crescimento, é a criança aprender que nem sempre se obtém o que se quer.

Para qualquer criança, uma parte principal da sua atenção no dia a dia é focada em obter o que quer exatamente quando quer, como por exemplo comida, bebida, um brinquedo em especial, jogar num jogo específico, um passeio, etc. Temos desta forma crianças focadas em obterem o que querem e nós pais, a decidirmos o que é que eles podem ou não ter. E este é precisamente um dos papéis que temos enquanto pais – estabelecer quais os limites que queremos para os nossos filhos.

Como pais, também temos a preocupação, que os nossos filhos sejam felizes e estejam bem, com eles próprios, connosco, situações e com outras pessoas da sua vida.

Mas muitas vezes, estas duas ideias juntas – decidir o que o nosso filho pode ou não ter mas querer ao mesmo tempo que ele seja uma pessoa feliz – pode causar um impacto grande nas decisões que tomamos. A forma de manter estas duas ideias em harmonia é agir calmamente e de forma descontraída quando a sua criança ficar triste quando não conseguir o que quer.

Enquanto pais, estamos constantemente a tentar identificar o que acreditamos ser o melhor para os nossos filhos (como por exemplo, não deixar a nossa criança brincar na rua até as 10h da noite). Se é algo que a sua criança quer, irá protestar de qualquer forma (chorar, ficar triste, ter um comportamento mais desafiador, etc) – este é um facto que não consegue evitar.

A chave para colocarmos limites de forma eficaz começa com a nossa atitude. É sentirmo-nos à vontade quando o fazemos e a nossa criança fique infeliz com isso. Lembrem-se que estão a fazer o melhor para os vossos filhos e que eles estão aprender uma lição valiosa – nem sempre conseguimos o que queremos mesmo quando choramos, batemos, gritamos, etc. O facto de cedermos e voltarmos atrás no nosso limite quando eles têm este tipo de comportamentos, é encorajar para que o volte a fazer para conseguir o que quer.

Quando a sua criança tiver uma reação mais triste ou revoltada devido ao limite imposto, pode sempre dizer-lhe “não faz mal que te sintas assim de momento”. Se notar que apenas piora a situação ou a reação ao explicar as razões pelas quais estabeleceu o limite, pare de dar justificações. Pode permanecer em silêncio durante um certo período de tempo, parar de lhes dar muito contacto visual e ir para outro sítio da casa. Não lhe peça ou obrigue a parar o seu comportamento – mais uma vez poder motivar a reação a continuar.

Sempre que estabelecer um limite, seja forte, tenha presente que é o melhor para a sua criança e que não quer dizer que não a ame. E dê-lhe espaço e permita-lhe também a ela que fique triste, que aprenda a lidar com a frustração e que assimile a aprendizagem que nem sempre conseguimos tudo o que queremos e não há problema.