Quando a criança bate, belisca, morde, ou tem algum tipo de comportamento indesejado para ver reações

Crianças no espetro do autismo têm dificuldade em comunicar e muitas vezes arranjam alternativas altamente eficazes para obter o que querem. Muitas destas alternativas pode ser através de comportamentos indesejados tais como o bater, morder, beliscar, puxar cabelo…

O primeiro passo é tentar perceber qual a razão, o que leva a criança a comunicar dessa forma. Existe sempre uma razão! Está na altura de colocar os seus óculos de detetive e ir à procura do que motiva a sua criança a adotar esse tipo de comportamento 🙂

Em alguns casos, as crianças usam o morder, beliscar, arranhar para obter uma reação (como por exemplo o choro, gritos, expressões faciais e corporais exageradas…). Vamos pegar no exemplo do choro (a criança bate para obter uma reação de choro) e vamos exemplificar que estratégias podem então ser colocadas em práticas para ajudar a sua criança a comunicar de outra forma o que quer vs adotar comportamentos indesejados para o conseguir.

Depois de descobrir o motivo pelo qual a sua criança está a agir dessa forma e pegando no exemplo do choro, é importante entender o que a criança procura nessa reação. No caso do choro temos duas alternativas:

1. Ou gosta da expressão facial exagerada

2. Ou gosta do som do choro

O que queremos nestas situações é fazer uma inversão, ou seja:

Sempre que a criança interagir consigo sem beliscar, morder, arranhar… É neste momento que vai oferecer à sua criança o choro – a ação divertida que ela procura. Vamos oferecer o choro como uma ação divertida pela qual a criança pode pedir de uma forma mais funcional.

Faça a sua melhor performance! Caia no chão, coloque água na cara para emitir as lágrimas, acentue a sua expressão facial, faça diferentes tipos de choro (soluçado, mais alto, mais baixo..). Incentive a criança a comunicar consigo verbalmente ou não verbalmente sempre que quer essa ação motivadora.

Ex. de um pedido de comunicação verbal: “Mãe faz o choro para mim!”, “Mãe quero que chores”, “Mãe chora”.

Ex. de um pedido de comunicação não verbal: coloque um botão em algum espaço da sala ou até mesmo em si e explique à criança que sempre que apertar o botão vai ter a reação que quer.

Explique à criança e modele a forma como pretende que ela comunique o que quer. Repita o processo muitas vezes, até a criança entender que ao apertar o botão ou a pedir verbalmente, recebe a ação motivadora.

Ao incentivarmos as nossas crianças a pedir verbalmente ou de outra forma que não seja através de um comportamento indesejado, estamos a estimular a criança a usar outro tipo de comunicação que seja mais funcional e eficaz para conseguir o que deseja.

Outra situação importante a ter em conta: 

No meio deste processo, até ter a aprendizagem totalmente assimilada, pode acontecer a sua criança beliscar, morder, ou puxar cabelos para obter o choro. Nesse sentido é importante manter-se alerta e de antenas ligadas e sempre que a criança adotar esse comportamento indesejado, faça cara neutra – sem expressão facial e sem enfatizar o que aconteceu. Reaja como se nada tivesse acontecido, desta forma a criança irá perceber que não consegue o que quer com esse tipo de comportamento. Em contrapartida, quando a criança tem comportamentos desejados, oferecemos o que ela quer, para ela começar a perceber o contraste e a eficácia entre os diferentes tipos de comunicação.

No caso da criança ter esse tipo de comportamentos com outras crianças ou até irmãos mais novos ou mais velhos… O que iremos fazer neste tipo de situações é tirar essas crianças do ambiente e ignorar o comportamento da nossa criança com autismo. Desta forma, a nossa criança não irá obter a reação que estava à espera e esse tipo de comunicação para ela não será mais eficaz.