Persistência Vs Coerção

Uma das coisas mais importantes que as crianças com autismo nos ensinam é a nunca desistir. A ser persistentes. Por vezes são precisas muitas horas de trabalho e até semanas, meses ou até anos para conseguirmos certos avanços com as nossas crianças, mas a longo prazo, é um trabalho que trará frutos incríveis. É importante acreditar, um dia de cada vez, e percorrer uma caminhada milímetro a milímetro, centímetro a centímetro, quilómetro a quilómetro para um dia juntos corrermos a maratona! Acreditamos que tudo é possível e as nossas crianças têm este fantástico dom de nos surpreenderem quando menos esperamos 🙂

Para sermos persistentes é importante termos em mente os seguintes princípios:

  • As nossas crianças são capazes de qualquer coisa.
  • As nossas crianças são capazes de mudar e se desenvolverem.
  • Pedir-lhe que o façam é uma das melhores coisas que lhes podemos oferecer neste momento para as ajudar a ultrapassarem os seus desafios.
  • Se em algum momento, não fizerem o que lhes é pedido, isso não quer dizer nada sobre a sua capacidade de o conseguir fazer noutro momento. O facto de não o conseguir fazer hoje não quer dizer que não o conseguirá fazer amanhã ou daqui a uma ou duas semanas.
  • Conseguir estar confortável e tranquilo em pedir à nossa criança coisas mesmo que ela ainda não o faça ou ainda não o consiga fazer. Tentar não dar espaço à frustração para não bloquear a nossa tentativa de ajudar a criança a conseguir.

Depois de ter isto em mente, vamos à prática!

Outra coisa a ter em atenção é a diferença entre persistência e coerção. Para evitar passar da persistência (motivar a nossa criança a tentar respeitando sempre o seu ritmo) à coerção (forçar e impor a aprendizagem)… Tente colocar a si mesmo a seguinte questão, sempre que pedir algo de novo à sua criança, ou se desafiar a sua criança a fazer algo que ainda tem alguma dificuldade:

Fará alguma diferença na vida da minha criança daqui a um ano, se aprender alguma tarefa específica sexta em vez de terça?

Coloque esta questão a si mesmo sempre que sentir a necessidade de forçar a sua criança a aprender alguma coisa quando ela está ativamente a resistir. Queremos que as nossas crianças tenham interesse, queremos que associem a aprendizagem à diversão – não à coerção.

É importante ter objetivos e a persistência é um elemento-chave para não se desistir e conseguir a nossa criança a ultrapassar os seus desafios, mas queremos evitar batalhas de controlo. Sempre que acontecer entrar numa batalha de controlo com a sua criança, numa situação que não é imperativo a criança seguir o que lhe está a pedir, a melhor opção é ser um exemplo de flexibilidade e largar o que está a tentar fazer e tentar noutra altura mais tarde. Queremos dar prioridade à relação com a nossa criança e não ao objetivo.

Queremos pedir às nossas crianças para mudarem, crescerem e abrirem uma nova porta nas suas vidas – a das relações sociais. Ao abrir esta porta com as nossas crianças, estamos a ser um bonito exemplo do que queremos inspirá-las a ser… Ser aventureiro para mudar e crescer, a olhar para dentro de nós e a tornar-nos nós também mais flexíveis, relaxados, celebrativos, felizes, curiosos, mais presentes e a desafiar-nos a nós próprios.

As nossas crianças vão seguir o nosso exemplo e juntos vamos abrir uma porta para descobrir toda uma vida de conexões e relações.
Divirta-se a ser persistente e a pedir à sua criança que se desenvolva.