Atitude: o primeiro passo para a mudança.

Por vezes, mesmo querendo dando o nosso melhor e o nosso maior esforço, não conseguimos ter a atitude mais correta com a nossa criança. Sentimo-nos frustrados, cansados, chateados connosco próprios por não conseguir…

Afinal, como é que consigo mudar? 

Antes de querer mudar a sua atitude, observe-se e observe as suas crenças. Está a acreditar no seu potencial? Está a acreditar no potencial da sua criança? Que afirmações costuma dizer a si próprio? E à sua criança?

Após refletir sobre as perguntas acima mencionadas, vamos ajudá-lo a mudar as suas crenças e as suas afirmações diárias para, depois, mudar a sua atitude.

Um profissional da educação uma vez afirmou que “pessoas saudáveis têm atitudes saudáveis”. Então não se esqueça de, anteriormente exigir a si próprio uma mudança com a sua criança, seja “saudável” consigo mesmo para, assim, conseguir ter atitudes “saudáveis”.

Ao ler qualquer dica que iremos mencionar, não pense que está a falhar, porque não está! Está a fazer o melhor que pode e tudo faz parte do processo. E acredite, estar aqui já está a dar um grande passo: um passo de crescimento e evolução.

Assim, deixamos abaixo algumas dicas.

Não se julgue

Por vezes usamos expressões frequentes como “não consigo fazer isto” ou “não estou a ser suficiente para a minha criança” ou “o que estou a fazer não está bem feito”, e tantos outros exemplos que o objetivo é motivarmo-nos para fazer o melhor para a nossa criança. Mas estamos a fazer com que se inicie uma “luta” connosco próprios e sentimo-nos sempre desmotivados, insuficientes, incapazes, incorretos…

Não se julgue! Você está a fazer o melhor que pode e irá conseguir fazer melhor mais tarde com AMOR e ACEITAÇÃO. Por vezes, em situações de desespero, respire fundo e foque-se neste sentimento de amar, aceitar e acreditar em si mesmo e na sua criança. Substitua as anteriores expressões por “eu estou a fazer o melhor que posso”, “eu consigo fazer isto”, “eu sou suficiente para a minha criança”, “o que estou a fazer está bem feito e irei sempre melhorar aos poucos”.

Observe-se e a acredite em si mesmo 

Quando começamos a mudar-nos a nós próprios, tudo à nossa volta muda. De que maneira?

Ao acreditar em si e no seu potencial, vai estar a transmitir confiança aos outros, neste caso, confiança à sua criança. Quando começamos a acreditar em nós e a mudar a nossa atitude, a responsividade da nossa criança também muda. Mesmo que não seja imediato, mais tarde ou mais cedo ela vai começar a aderir.

Antes de querer mudar a sua criança, mude-se a si próprio e reflita sobre si mesmo. Como referido anteriormente, é importante estar “saudável” para transmitir atitudes “saudáveis”. Ao mudar-se a si próprio vai observar que a responsividade da sua criança vai aumentar.

Deixamos algumas perguntas para se fazer a si mesmo para refletir sobre a sua atitude numa forma geral.

  • Quando falam consigo, está totalmente presente?
  • Aceita as pessoas ao seu redor com todo o seu coração, mesmo quando estão a ter dias menos bons?
  • Comemora e agradece as pessoas da sua vida?
  • Tem energia, empolgamento e entusiasmo ao fazer tarefas diárias ou ao comunicar com um funcionário de uma loja?
  • Trata-se com aceitação e amor, sabendo que faz o melhor que pode, quando está infeliz, frustrado ou com medo?

Se a maior parte das suas respostas for negativa, perceba que não está a falhar, repito, está no processo e está a fazer o melhor que pode. Mas é importante que mude a sua atitude em coisas básicas no dia-a-dia para puder transmitir essa atitude à sua criança.

Deve olhar para dentro e tornar-se uma pessoa mais flexível, compreensiva, relaxada, celebrativa, grata, alegre, curiosa, presente… para si e para os outros.

Com estas mudanças o seu dia-a-dia, acredite, estará a fazer algo muito positivo por si, e isso vai se refletir nos outros e, claro, na sua criança. Ela irá seguir o seu exemplo e juntos irão abrir uma porta para descobrir muita conexão e relação.

Perceba o que causa frustração

A frustração aparece quando há uma necessidade de demonstrar poder. É um pedido de poder de alguém que se está a sentir impotente. Mas ao escolher a frustração, vai criar stress, ansiedade e um aumento de luta entre si e a sua criança. E sabemos que não é, de todo, isso que pretende.

Para além disso, quando estamos com frustração, estamos a criar uma barreira para as nossas crianças interagirem connosco. Estamos a passar a mensagem que o nosso mundo é muito imprevisível, nada atraente e que nós estamos constantemente zangados. E é exatamente o contrário que queremos. Queremos “puxar” a nossa criança para o nosso mundo, mas deve ser com todo o cuidado, amor e compreensão.

Por isso, relaxe. Apesar de tudo, todos temos dias menos bons, não se culpe quando não consegue estar predisposto sempre. Mas lembre-se, amanhã é um novo dia cheio de novas oportunidades e conquistas!

Crie afirmações positivas

É importante olhar para si e para as suas afirmações diárias. Está constantemente a julgar-se? Cria pensamentos como “eu não consigo” ou “eu não sou capaz”? É importante tentar, ao máximo, mudar esse pensamento. A nossa mente está automatizada para olhar para o que está errado. Está na altura de mudar isso e criar afirmações que consiga mudar a sua atitude, também para que seja o melhor para si.

Apresentamos alguns exemplos de afirmações positivas. Adapte a si, à sua criança e ao seu ambiente. Mesmo que não consiga já hoje, amanhã, ou depois, conseguirá. Tudo leva o seu tempo. Escreva, diga para si mesmo alto ou em pensamento. Faça da maneira que se sentir melhor.

  • Eu sou um/a lutador/a
  • Eu sou poderoso/a
  • Eu sou capaz
  • Eu consigo ajudar a minha criança
  • Eu sou divertido/a
  • Eu dou o maior e poderoso amor à minha criança
  • Eu sou suficiente para ajudar a minha criança
  • Eu sou inspirador/a
  • Eu amo a minha criança tal como ela é – amo-a a chorar, a fazer birra, a gritar… pois sei que ela está a fazer o melhor que pode
  • Eu estou presente
  • Eu faço o melhor que posso.

Acredite na sua criança.

Ao acreditarmos nas pessoas que estão à nossa volta, vai se refletir na maneira que agimos com elas e as oportunidades que lhe oferecemos. E isto acontece também com as nossas crianças.

Ao passar todos os dias com a sua criança, desde o seu nascimento, acaba por a conhecer melhor que ninguém e consegue prever certas reações e acerta frequentemente. E, sem querer, usamos isso como prova que, aquilo que acreditamos sobre a criança, é uma verdade absoluta. No entanto, as crianças crescem, todos os dias, e a oportunidade de mudar também pode acontecer.

Por isso, desafiamos a olhar para a sua criança como se fosse a primeira vez e deixe de lado todas as ideias e crenças preconcebidas que tem sobre o que ela fará ou não.

Substitua os seus pensamentos e/ou afirmações e acredite verdadeiramente na sua criança. Damos alguns exemplos:

“a minha criança não vai fazer/querer” → “a minha criança ainda não faz/quer, mas irá fazer/querer”

“a minha criança não gosta” → “a minha criança ainda não gosta, mas irá gostar”

“a minha criança não consegue” → “a minha criança ainda não consegue, mas irá conseguir”

Apesar de, em momentos passados a sua criança não tenha feito/querido/conseguido, não quer dizer que nunca faça/queira/consiga. Transforme o seu pensamento e acredite num futuro mais positivo.

Olhe para as situações de forma positiva e descontraída

Nós sabemos que por vezes é difícil e que até podem haver dias impossíveis para isso (como já referido, nós fazemos o melhor que podemos) mas ao enfrentar os desafios mais frequentemente de uma forma positiva e animada, isso vai mudar a sua perceção dos acontecimentos e valorizar tantas outras coisas que, por vezes, são esquecidas.

Concentre-se no que está a correr bem: o dia passa, com 24 horas, mas se nos acontecer algo negativo, é nisso que normalmente nos focamos e fazemos o maior drama. Ignore mais vezes os aspetos menos positivos e observe o que está a correr bem “de manhã a minha criança olhou-me nos olhos” ou “hoje está um dia de sol maravilhoso” ou “hoje consegui cumprir com todas as tarefas que pretendia”, ao invés de se focar numa birra ou crise da sua criança como um dia mau ou noutro momento desafiante.

Agradeça: Diga “obrigado” mais vezes, mesmo em situações pequenas. “Obrigada pelas aprendizagens e lições que a minha criança me dá”, “Obrigada pelos alimentos, pelo conforto da minha casa, pela minha segurança e saúde”, “Obrigada pelo amor que dou e recebo da minha família”. A gratidão traz-nos um sentimento magnífico de alívio, amor e felicidade.

Descontraia: Procure humor nas situações. Mesmo que as coisas se desenrolam de uma maneira totalmente contrária à planeada, ria-se da situação, descontraia. Focar-nos no que poderíamos ter feito e no que poderia ter acontecido, só nos traz sentimentos de frustração e stress. Sorria, ria, faça jogos com os “desastres” acontecidos, diga brincadeiras, divirta-se!

Vá em frente e sorria! 

Sorrir sem vontade parece impossível e sem qualquer motivo. Mas faça este jogo mental: recorde-se da última gargalhada, da maior conquista da sua criança, da última brincadeira de cócegas juntos, no próprio sorriso da sua criança, …

Experimente! E sorria 🙂