Quer que a sua criança fale mais? Veja a importância de dar espaço!

Diariamente, às vezes sem notarmos, abordamos as nossas crianças com perguntas e mais perguntas, cheios de entusiasmo de querermos tanto que elas nos respondam e que elas falem, comuniquem e interajam connosco. A verdade, é que a intenção é boa mas isso pode ser em demasia. Mas calma… Vamos tentar perceber o porquê e encontrar as melhores formas de incentivarmos as nossas crianças a comunicarem connosco de forma verbal. 

1 – Ouça mais

Sim, ouvir mais. Nós entendemos perfeitamente a sua vontade de falar e de que a sua criança fale. Mas acredite, quanto mais fala, menos espaço estará a dar a ela para falar. Dê espaço a ela para falar quando ela quiser, ouça as suas palavras, frases, sons como se fosse a primeira vez. Observe, escute com toda a sua atenção. Isto será importante para conseguir, mais tarde, entrar com a sua interação. 

Não tenha receio de existirem momentos de silêncio. A criança vai perceber que lhe está a dar tempo e espaço para falar, caso deseje. Estamos atentos a ouvir ao invés de ser ao contrário. Ao “abraçar” o silêncio, a sua criança vai estar calma e vai querer falar consigo pois, sempre que fala, está a pedir a ela que oiça e não que fale. 

A comunicação é composta por duas partes, o falar e o OUVIR. Esquecemo-nos, muitas vezes, da importância de ouvir. 

Da próxima vez que estiver a brincar com a sua criança, fale menos e ouça mais. E espere pelo resultado. Vai ficar surpreendido que, ao falar menos, a sua criança vai falar mais! Esteja atento!

2 – Invista na conexão 

Ao estar constantemente à procura de respostas da sua criança, vai fazê-la sentir-se pressionada e apenas vai dizer algumas palavras, frases ou sons de forma desconectada consigo. E é muito mais fácil o incentivo à comunicação verbal quando já existe uma interação e conexão entre os dois. Por isso, invista, inicialmente, na conexão entre os dois, sem pressões. Invista no trabalho interativo com brincadeiras, o juntar-se, criar jogos e atividades dentro das motivações da sua criança, etc. 

Ensine a sua criança a “querer” verdadeiramente falar consigo. 

3 – Dê tempo 

Quando, efetivamente, pedir à sua criança para dizer uma palavra, em seguida, faça uma pausa e dê-lhe tempo e espaço para a dizer. As nossas crianças têm dificuldade em falar e, muitas vezes, é complicado para elas responderem logo ao nosso pedido. Há crianças que demoram mais que outras, todas as crianças são individuais, por isso é que é tão importante saber ouvir a sua criança e conhecê-la e, assim, adaptar a sua interação à sua forma de ser. 

4 – Quer fazer perguntas? 

Como falado no início, por vezes estamos tão ocupados a fazer perguntas às nossas crianças que esquecemo-nos de as ouvir e de tentar perceber se, na verdade, essas perguntas são mesmo enriquecedoras. Deixamos algumas perguntas para fazer a si próprio e perceber se está a usar as perguntas de forma a promover, de verdade, a comunicação verbal da sua criança. 

 

  • Porque estou a fazer esta pergunta?

 

Estou a fazer a pergunta porque realmente quero saber a resposta ou é uma pergunta onde não espero que a criança responda? Serei eu que vou dar a resposta? Se a resposta for sim, se, de facto, for uma pergunta retórica, não pergunte. Faça o que for fazer sem acrescentar a pergunta. Se a questão não é realmente necessária e não é dado espaço à criança para responder, está a comunicar que, responder a perguntas, não é importante. 

 

  • A pergunta que estou a fazer é apenas para ouvir aquilo que eu e a criança já sabemos? 

 

Por exemplo, está a perguntar-lhe de que cor é o objecto só para o ouvir dizer de que cor é? Se sabe que a criança sabe isso, então pergunte-lhe outra coisa, algo que possa ser mais enriquecedor e interessante para a sua criança. Algo que não tenha resposta certa ou errada. Por exemplo, pode perguntar-lhe quem é que ela acha que é o familiar mais divertido ou preguiçoso. Seja criativo, divertido e com atitude para a sua criança puder ter interesse em comunicar consigo. 

 

  • Estou a usar a pergunta para iniciar uma conversa?

 

Esta é uma das formas de começar uma conversa, mas também poderão existir outras maneiras que sejam de maior interesse da sua criança e mais comunicativas. Partilhe uma história, um comentário ou um pensamento sobre algo que esteja nas motivações da sua criança. Por exemplo, se a motivação da criança for dinossauros, poderá dizer algo como: “Se eu vivesse no tempo dos dinossauros, eu faria uma carruagem de madeira e punha em cima do dinossauro, para poder andar em cima deles e ir para onde eles fossem”. 

Após fazer esse comentário, pare, observe e espere para ver se a sua criança tem algum comentário ou pensamento verbal. Desta forma, estará a inspirar a sua criança a comunicar espontaneamente os seus pensamentos e ideias sobre o que disse e irá ajudá-la a partilhar os seus pensamentos interiores e a construir as suas próprias frases. 

 

  • Estou a usar a pergunta para iniciar uma atividade?

 

Ao invés de usar uma pergunta, inicie simplesmente a atividade com a criança, como por exemplo, em vez de perguntar à criança se quer pintar, pegue você nas canetas e no papel e comece a pintar sozinho mas perto dela, de maneira que a criança consiga observá-lo. Em pouco tempo, a criança irá mostrar se vai querer pintar também ou não. 

  • Estou a usar a pergunta para testar? 

Existem outras formas de interagir sem que pareça que a está testar a sua criança. Ou seja, estará a incluí-la numa decisão Por exemplo, em vez de dizer “Que cor de papel é que queres?” poderá dizer algo como “Uau, temos imenso papel colorido aqui, estou a pensar que cor é que havemos de escolher primeiro”. 

5 – Criatividade também é válida

Porque não falar através de personagens, bonecos ou fantoches? Nós somos a favor de que toda a criatividade e originalidade é válida e a utilização de bonecos pode ser o primeiro passo para que as nossas crianças pratiquem a conversação. Por vezes, principalmente no início, para algumas crianças, pode ser mais fácil ter uma interação se você ou ela estiverem a falar através de um boneco. Isso pode acontecer pelo facto da criança ainda estar afastada da interação em conversa direta. E esta maneira pode ser uma ajuda para iniciar a interação e a comunicação. 

E uma oportunidade fantástica para usar o seu personagem preferido. Para as crianças pode ser mais fácil comunicar e responder à sua personagem ou boneco preferido. Experimente e aguarde pelo resultado. 

Essencialmente, DIVIRTA-SE com as modificações e as interações com a sua criança! 🙂