A motivação é a chave da aprendizagem

A motivação é o motor do crescimento, é de facto o maior fator de aprendizagem e progresso de qualquer criança. Quando uma criança está a seguir os seus interesses e motivações intrínsecas, a aprendizagem acontece mais rapidamente e facilmente. É fácil entender isto: pensem no vosso dia-a-dia: que coisas é que fazem com real motivação? Que coisas é que fazem sem motivação? E qual é que vos custa mais? Qual é que vos dá mais prazer? 

Infelizmente este princípio é raramente posto em prática e na maior parte dos casos as nossas crianças são ensinadas de um modo que funciona em contramão desacelerando a sua aprendizagem. O resultado final é que a forma pela qual as nossas crianças são ensinadas não corresponde àquilo em que elas encontram motivação e interesse. E se isso não é bem observado, passa como “ a criança não é capaz de aprender”, quando na verdade é ou poderá ser.

Muitas vezes quando falamos em motivação as pessoas confundem com aquilo que gostariam que a criança fizesse ou que vêm que a criança acaba por fazer depois de alguma insistência como pintar, fazer puzzles, jogos de encaixe, repetir palavras. Pode ser motivação se a criança o faz de forma espontânea ou se diverte a fazer e não completa a atividade só porque lhe é pedido e se insiste.

Quando falamos sobre o princípio da utilização de motivações intrínsecas da criança, o que queremos dizer com isto é personalizar qualquer coisa que ajude a criança a fazer ou aprender algo para coincidir com áreas de maior interesse da criança. 

Por exemplo, pedimos a uma criança para contar até cinco contando círculos desenhados numa folha de papel. Mas imaginem que a criança em questão adora dinossauros! Não iria aprender mais rápido se brincássemos com um jogo com dinossauros onde ela teria de contar os cinco dinossauros de que ela gosta?

Se queremos colocar o cérebro num estado máximo de crescimento e promover a maior parte da aprendizagem, a chave passa por encontrar e capitalizar os interesses e motivações que a criança já tem e não forçar informações ou tentar motivar à força. Quando uma criança/adulto está motivado e interessado, os neurotransmissores são estimulados no sentido de fazer o cérebro funcionar, prepará-lo para o crescimento, mudança e aprendizagem. Queremos introduzir cada competência que queremos que a criança aprenda, cada objetivo educacional, cada nova atividade que quer que a criança tente em jogos ou atividades construídos em torno daquilo onde a criança encontra maior motivação e interesse.

O maior erro que cometemos é tentar ensinar ou mudar as nossas crianças quando não estão num estado onde podem absorver novas informações. Quando a criança está por exemplo em estereotipia, sem contacto visual, sem responder quando falamos para ela ou chamamos pelo seu nome, ela está a demonstrar-nos que naquele momento, não está aberta á interação e por consequente a assimilação de novas informações. 

Quando tentamos ensinar, persuadir ou orientar uma criança enquanto ela não está “disponível”, é como se estivéssemos a passar o “sinal vermelho” de um semáforo. Quando estamos a conduzir e passamos um sinal vermelho, podemos pensar que vamos chegar mais depressa ao nosso destino, mas muitas vezes o resultado é bem diferente – talvez a colisão de veículos ou uma multa. O mesmo acontece quando fazemos o mesmo com as nossas crianças, o resultado acaba por ser o oposto pois não estamos a respeitar o ritmo e estado de disponibilidade da criança. 

Desta forma, é fundamental esperar que a criança esteja pronta e disponível antes de dar alguma instrução ou fazer qualquer mudança. Na Vencer Autismo chamamos a estas oportunidades, janelas de oportunidade. Se a criança não se encontra em isolamento, está responsiva, a olhar para nós, provavelmente estamos a ter uma luz verde. Este é o momento de ensinar ou pedir-lhe algo. Quando desafiamos a criança no momento certo, a velocidade da aprendizagem e qualidade da interação são drasticamente aceleradas. 

Numa primeira fase, vamos então pensar primeiro nas áreas de interesse (motivações) das nossas crianças. A minha criança gosta de personagens da Disney? Carros? Aviões? Números? Brincadeiras físicas? Expressões faciais exageradas? Tudo o que precisamos de fazer é observar o que a criança faz e anotar. O que a impulsiona? Existe algo que gosta de ver ou fazer? A criança é verbal? O que diz quando um adulto não está a conduzir a conversa?  Primeiro focamo-nos nisso e depois sim no que queremos que a criança aprenda. Depois de identificadas as motivações, vamos então fazer uma lista dos nossos objetivos educacionais e especificá-los ao máximo. O próximo passo será refletir como usar as motivações da criança para trabalhar os objetivos e fazer a ligação entre ambos para que a aprendizagem seja muito mais rápida e efetiva.