Acreditar no potencial da minha criança

A maior parte das vezes focamo-nos naquilo que a nossa criança ainda não consegue fazer, mas também é importante observarmos o que já consegue fazer e sentirmos-nos felizes com isso. Se conseguirmos mudar a nossa perspetiva e estar gratos pelo o que ela já faz vs focar no que ainda não faz, tudo para nós será mais fácil. 

Claro que temos sonhos para a nossa criança e queremos para ela o melhor, mas focar-nos no que ainda não faz e considerado a “norma” era suposto fazer, não nos irá ajudar. Antes pelo contrário, pois pode dar espaço a muita ansiedade, preocupação e frustração. 

A nossa criança tem o seu caminho a percorrer e é igualmente importante respeitar e seguir o seu ritmo, passinho a passinho, milímetro a milímetro. 

Temos de começar pela base, perceber em que fase do desenvolvimento está a nossa criança e por onde podemos começar. Quando começamos a trabalhar com as nossas crianças entram aqui dois factores fundamentais para as conseguirmos ajudar: 

  • Aceitarmos onde está a nossa criança neste momento e sentirmo-nos tranquilos com isso.

Um fator determinante para ajudarmos as crianças é nós estarmos confortáveis com a situação, com os comportamentos, com a realidade da nossa criança.

Cuidadores felizes fazem crianças felizes fazem cuidadores felizes…

Desde a Vencer Autismo damos muita importância a este objetivo, porque sabemos que um cuidador/ uma cuidadora que se sente mais à vontade na presença da sua criança aumenta as probabilidades de ter mais e melhor interação, além de estar num lugar que lhe permite tomar melhores decisões.

  • Acreditar que as possibilidades são infinitas e embora ainda não faça certas coisas, tem potencial e capacidades para lá chegar. 

Quando trabalhamos com as nossas crianças com base nessas duas premissas o nosso envolvimento e dedicação é outra totalmente diferente porque trabalhamos motivados e com esperança de que tudo é possível. Com este pensamento abrem-se inúmeras janelas, pois iremos trabalhar nesse sentido – da nossa criança atingir o seu máximo potencial. 

Na maioria das vezes, quando trabalhamos com as nossas crianças sem acreditar que são capazes, estamos a boicotar de forma inconsciente oportunidades. Por exemplo, se a minha criança ainda não é verbal e se eu acredito que ela nunca irá falar, então não irei puxar por ela nesse sentido – pois penso que é uma perda de tempo e ela não é capaz. A nossa criança até pode tentar comunicar connosco, de uma forma que ainda não seja perceptível, mas como acreditamos que é impossível, acabamos por não ouvir ou não prestar atenção – pois estamos limitados à nossa crença e não estamos abertos às oportunidades. 

Em contrapartida, se olharmos para a nossa criança com a premissa de que ainda não fala MAS poderá vir a falar, iremos usar cada oportunidade para a estimular nesse sentido. Iremos estar atentos a se verbalizar um som ou uma sílaba nova, iremos modelar, solicitar e persistir de forma entusiasmada para que consiga. 

Esta nossa atitude e postura perante a nossa criança irá acabar por a influenciar também, pois iremos transmitir-lhe que acreditamos nela e confiamos nas suas capacidades, que é capaz e que sabemos que irá conseguir. Quando temos uma pessoa do nosso lado que acredita em nós, mesmo que nós próprios não acreditemos, isso dá-nos uma motivação e força maior para superar os nossos desafios. Com as nossas crianças passa-se exatamente da mesma forma, a sua vontade e motivação em tentar será bem maior se tem do seu lado uma pessoa que é sua fã número 1 e maior claque em todas as ocasiões. 

Cada pessoa com autismo é uma pessoa com autismo. Para sermos eficazes na nossa intervenção vamos ter que adaptar-nos às necessidades e motivações da nossa criança.  E para isso é fundamental também compreendê-la.   

Na maior parte das situações não conseguimos resolver desafios porque não compreendemos a nossa criança. Uma vez que compreendemos como elas podem sentir o mundo que as rodeiam, passamos a julgar menos, empatizar mais e automaticamente adaptarmo-nos às suas necessidades para ela poder evoluir positivamente.  

Quando a nossa criança é diagnosticada com autismo ninguém nos diz isso nem nos ensina isto, mas a verdade é que o sucesso e desenvolvimento da nossa criança está diretamente ligado com a própria motivação e atitude do cuidador. Com isto não queremos dizer que têm de estar sempre a 100% e sempre com esta atitude entusiasta. Claro que também têm direito a ter os vossos dias maus e a passar por fases menos boas em que acreditam menos ou em que a vossa motivação não está tão no topo. Mas terem consciência da importância da vossa atitude e daquilo em que acreditam influencia o desenvolvimento da vossa criança, já é meio caminho andado para ajudar a vossa criança a atingir o seu máximo potencial! 😊