Autismo e Terapias

Qualquer pai ou mãe que comece a pesquisar sobre autismo e terapias, após começar a ver sinais de alerta ou após ter um diagnóstico, entre num labirinto de opções que, por vezes, se torna cada vez mais complexo e confuso à medida que se vai avançando. Qual a melhor terapia para o meu filho? Como é que arranjo tempo no horário para fazer todas as terapias disponíveis? Como é que consigo financiar todas as terapias que existem para dar ao meu filho tudo o que ele precisa? Wow, ok… vamos todos respirar fundo!

Deixamos algumas notas, para ajudar no processo e torná-lo, esperamos nós um pouco mais tranquilo:

  • Não existe a melhor terapia para o autismo: existem terapias com mais estudos, com mais evidências científicas, certo. E essas podem ser as terapias certas para a sua criança ou não. Não desvalorizando a ciência, quando olhamos para os casos individualmente, acreditamos que os cuidadores são livres e devem escolher a terapia com que se identificam mais, que segue valores e atitudes que lhes fazem sentido e que trazem benefícios para a criança. O que funciona para a tua criança pode ser bem diferente do que aquilo que funciona com o colega dele da escola que também tem PEA. Somos todos diferentes 😉
  • Reflete sobre o que procuras e quais são as dificuldades da tua criança: É importante focar-se naquilo que te parece mais importante para a tua criança. Benefícios, melhorias e resultados são subjetivos, cada família tem a sua maneira de os avaliar: para alguns pais é importante o sucesso académico, para outros a autonomia e outros preocupam-se mais especificamente com a parte social. Tudo isto é válido, então procura terapias que se foquem naquilo que são os teus objetivos para a tua criança.
  • Pesquisa e pede opinião: procura na internet, pede opinião a profissionais e outros pais; podes pedir até mesmo a opinião a pessoas com PEA adultas que passaram por diferentes terapias e saber a opinião na primeira pessoa também.
  • Experimenta: Não perdes nada em experimentar e ver como tu e a tua criança se sentem: principalmente, sendo métodos não invasivos, acreditamos que não se perde nada em tentar.
  • Como a criança reage à terapia e/ou terapeuta: acreditamos que este é um ponto-chave. Se a criança gosta e vai para a terapia e participa nela sem sofrimento ou angústia, isso é um ponto bastante positivo e que nos mostra que se calhar pode ser a terapia indicada. Queremos evitar birras e dificuldades neste processo. No entanto, também sabemos que existe por vezes uma fase de adaptação ao processo. Mas uma reação positiva da criança, costuma ser um bom preditor de ser uma terapia adequada para a tua criança.
  • De que forma os profissionais te estão a envolver no processo: é do conhecimento geral que o envolvimento dos pais no processo terapêutico é essencial. Então, sugerimos que tomes atenção à forma como o terapeuta te inclui no processo, como parte da equipa. Se não incluir, podes sempre mostrar-te proativo/a e pedir dicas e mostrar que queres participar mais. Não envolver os pais no processo, por norma, não costuma ser um bom sinal de terapia adequada. Mas também é preciso ter calma e perceber os papéis de cada um!
  • Enquanto não escolhes: lembra-te que há sempre pequenas coisas que podes ir fazendo em casa, enquanto refletes e tentas tomar uma decisão informada! Esse tempo de reflexão é importante, mas pode ser já também um tempo de intervenção da tua parte 😉