Qual o melhor momento para dar a conhecer à criança o seu diagnóstico?

Vamos lá falar aberta e tranquilamente sobre o tema 🙂 

O mais importante a reter é: não existe momento nem maneira certa de explicar à criança o seu diagnóstico. Todas as crianças e famílias são diferentes e, por isso, este momento será diferente para todos. No entanto ficam algumas ideias:

  • Tenham atenção à idade, desenvolvimento e funcionamento da criança. Não vamos dar a mesma informação a uma criança de cinco anos que damos a um adolescente de treze anos, da mesma forma que não damos a mesma informação da mesma forma a uma criança não verbal e com tempo de atenção de 1 minuto que damos a uma criança com um nível de funcionamento alto em todas as áreas.
  • Vão respondendo às perguntas da criança. Há crianças que perguntam “eu sou especial, porquê?” ou “porque é que eu faço estes movimentos?” ou “porque é que eu não consigo ter amigos?”. É importante nesses momentos apoiar, explorar o tema e dar alguma informação à criança.
    1. podemos perguntar porque é que ela diz isso?
    2. podemos perguntar porque é que ela acha que tem essas dificuldades?
    3. podemos também explicar que essas dificuldades com ajuda podem ser ultrapassadas
    4. podemos explorar em conjunto formas de ultrapassar essas dificuldades
    5. podemos, atendendo à idade e funcionamento da criança, explicar-lhe que tem autismo e que, por isso, tem dificuldades numas coisas, é sensível a outras e é muito boa noutras coisas.
  • Apostem na prevenção e na educação para a diversidade e aceitação da diferença: afinal somos todos diferentes. Não temos que fazer da diferença da criança o fim do mundo. Podemos explicar que tem autismo, tal como outras pessoas têm dificuldade a andar, ou vêm mal ou até mesmo têm dificuldade em fazer determinadas coisas. Umas pessoas têm a pele de uma cor e outras de outra. Umas são altas e outras são baixas. Umas têm autismo e outras não.
  • Pensem no porquê de quererem dizer à vossa criança:
    1. é porque ela pergunta?
    2. é porque vos vai tirar um peso de cima?
    3. é para a proteger? E se sim, de quê?
    4. é porque acham que ela vai ficar triste/chateada quando souber?

Às vezes, criamos ansiedade por algo que achamos que tem de acontecer já, mas pode não ser o seu tempo. Por exemplo, uma criança que está completamente fechada no seu mundo, será que está preocupada em saber se tem autismo? Se calhar não, se calhar só precisa naquele momento de se sentir aceite e amada.

  • O que dizer: depende sempre da situação e da criança. Para algumas crianças dizer autismo não vai significar nada, mas reconhecer e ajudá-la nas suas dificuldades, enquanto valoriza as suas potencialidades já pode fazer a diferença. 
  • É importante perceberem como é que vocês se sentem em relação ao autismo da criança. Aceitam? Julgam? Estão frustrados e zangados com a situação? Ainda estão no processo de aceitação do diagnóstico? Tudo isto é válido. Mas o que vocês sentem vai influenciar a forma como passam a mensagem à vossa criança também.
  • Pensem como é que gostariam de dizer, que mensagem é que gostariam de passar, com que sentimento é que ficam quando pensam nesse momento, que palavras-chave querem usar e preparem esse momento.

Se acharem que vai ser um momento difícil, vão treinando na vossa cabeça o que dizer, quando e como. Treinem com algum familiar. 

Mas foquem-se acima de tudo em mostrar que o diagnóstico não muda a vossa aceitação ou amor pela criança.