Como trabalhar os desafios da minha criança com autismo?

Todos nós queremos ajudar a nossa criança a ultrapassar os seus desafios mas muitas vezes não sabemos nem por onde começar e / ou como fazer.

Muitas vezes procuramos atividades que já existem ou já estejam planeadas, mas no caso das nossas crianças que têm interesses tão específicos e exotéricos é importante pensar fora da caixa e criar atividades que sejam igualmente motivadoras para elas e que ao mesmo tempo, vão de encontro ao que pretendemos trabalhar.

Criar atividades para a nossa criança não é apenas criar uma atividade para a ter entretida, mas sim criar atividades que a ajudem nas áreas nas quais têm maior dificuldade e que ao mesmo tempo captem a sua atenção. A verdade é que a criação de atividade engloba uma série de pré-condições que temos de ter em conta antes de criar e apresentar a nossa atividade à criança.

O desafio de criar atividades está em como conseguimos incluir numa atividade: 

  • O que nós queremos (que serão os nossos objetivos) 
  • O que a criança quer (que serão as suas maiores motivações)

Por vezes fazer a ligação entre estas duas componentes pode ser difícil e por isso criámos escrevemos este artigo. Mais do que vos dar exemplos de atividades já estruturadas para trabalhar os vossos objetivos, queremos-vos dar as ferramentas para saberem como fazê-lo e ao mesmo tempo ir de encontro às especificidades das vossas crianças.

Em vez de focar só na criação de atividades, pergunte-mo-nos também:

  • O que gosta a minha criança?
  • O que cativa a sua atenção?
  • O que quero trabalhar concretamente com a minha criança?
  • Quais os objetivos específicos que irei trabalhar?
  • Qual a adesão da criança à atividade que proponho?
  • Como me sinto quando estou a trabalhar com a minha criança? Também me divirto?

Frequentemente focamo-nos mais na atividade em si do que propriamente nas suas variáveis. Contudo, para uma atividade ser efetiva e ter resultados, temos de ter uma criança envolvida e motivada, pois caso contrário, não conseguiremos trabalhar os nossos objetivos.

Depois de saber onde está a nossa criança, queremos definir o caminho pelo qual queremos ir, queremos saber qual a direção e para isso temos de criar objetivos que nos orientem no nosso trabalho com a criança. 

Definir objetivos claros e concretos é fundamental! O facto de termos objetivos palpáveis, será muito mais fácil para nós de os avaliar e acima de tudo, ajudar a nossa criança a que os atinja. 

Muitas vezes definimos objetivos que são demasiado gerais e pouco mensuráveis. Pegando num exemplo de uma criança não verbal. Imaginem que neste caso querem que a vossa criança comunique verbalmente. Um objetivo geral e pouco mensurável seria: quero que a minha criança fale. O problema deste tipo de objetivos é que será difícil para nós saber o que fazer concretamente quando estamos a trabalhar com a nossa criança. Um exemplo de um objetivo específico para este caso seria: quero que a minha criança diga “a” para pedir “água”. Este tipo de objetivo é fácil de medir e ainda mais fácil de trabalhar → pois sabemos exatamente o que queremos trabalhar. 

Outro exemplo seria: quero trabalhar a flexibilidade da minha criança. Trabalhar a flexibilidade da criança é muito geral e pode incluir muita coisa. É importante saber o que queremos concretamente trabalhar na área da flexibilidade. Pode ser a criança seguir jogos com regras e estruturas simples, dar a vez, aceitar mudanças tranquilamente, etc. 

Temos de começar pela base e para uma criança que é ainda não verbal, no caso da comunicação verbal, seria começar pela verbalização de sons para desencadear ações. O facto de definirmos objetivos milímetro a milímetro torna mais fácil a sua concretização. Com as nossas crianças temos de ir ao seu ritmo, passinho a passinho, solidificar a base para conseguir chegar ao topo.