Ideias de jogos para trabalhar as expressões faciais com a tua criança

Se queres trabalhar um dos seguintes objetivos com a tua criança, este artigo é para ti!

  1. Imitar algumas expressões faciais simples
  2. Demonstrar expressões faciais breves, quando olha para as outras pessoas. 
  3. Manifestar expressões/emoções durante uma interação

Estes objetivos são importantes pois estão relacionados com as competências socioemocionais (também lhe chamam inteligência emocional), mais especificamente com a capacidade de identificar e reconhecer expressões, mas também de as conseguir expressar. Podemos ir trabalhando este objetivo de diferentes formas, o importante é que seja divertido e motivador para a criança. 

Nota 1: muitas crianças têm uma expressão neutra e fixa, não utilizando os músculos da face. E, inicialmente, essa utilização não surge naturalmente e a forma como se expressam pode até parecer um pouco estranha/exagerada/teatral. É natural. Quando começamos a trabalhar estes músculos, é mais fácil a criança começar a demonstrar expressões (ainda que breves) naturalmente, espontaneamente os músculos não estão trabalhados. A partir do momento que se começa a trabalhar esta área, é mais fácil a criança começar a ter de forma espontânea. 

Nota 2: Também é importante observarmo-nos a nós próprios. Por vezes, também não demonstramos as nossas emoções, de forma clara. E se nós somos o modelo da nossa criança, e não o fazemos, então é natural que ela também não o faça. Vamos começar a mostrar mais as nossas emoções através da nossa face e através da expressão do nosso corpo – será benéfico para nós e para a nossa criança, porque assim ela terá um modelo que lhe mostra como pode começar a fazer este trabalho. E de forma divertida!

Ideias de jogos

  • Mímica das emoções: podes criar cartões de emoções e à vez, tiram uma carta e têm que fazer mímica dessa emoção para a outra pessoa adivinhar. Sempre que for a tua vez, exagera na expressão das emoções: normalmente, as crianças adoram esse exagero (portanto, torna-se motivador) e inicialmente é mais fácil para ler as expressões.
  • Jogo da memória das emoções: podes retirar imagens de diferentes emoções da internet e faz cartas com elas. Deverás ter 2 cartas iguais de cada emoção. Então, depois deverás pegar em todas as cartas, baralhá-las e virá-las ao contrário. Depois, cada uma na sua vez, vira 2 cartas ao contrário (podem escolher qualquer carta) com o objetivo de encontrar as duas cartas iguais. Quando encontrarem as cartas iguais, deverão identificar qual é a emoção, imitar a sua expressão facial e falar de um momento em que se sentiram assim. Ganha quem conseguir encontrar mais cartas iguais. Outra alternativa: em vez de retirar as imagens da internet, podem tirar fotografias às vossas caras com diferentes expressões faciais. Assim ficam com um jogo da memória, com imagens dos diferentes membros da família e nas fotografias, já estão a trabalhar a questão das expressões faciais!
  • Botões das emoções: podes criar botões em cartolina, por exemplo, para diferentes emoções e cola em diferentes partes do teu corpo, por cima da roupa (ou no corpo da tua criança, se ela também quiser). Depois, a ideia é que a criança clique nesses botões para ver a mãe / pai a mostrar diferentes tipos de emoções. Por exemplo, a criança “clica” no botão “tristeza”, então finge que está triste, que está a chorar, etc – ou o contrário, carrega no botão e a criança finge que está triste, por exemplo.
  • Brincar com caretas: podes fazer caretas e ver a reação da criança, podes pedir que faça igual (por vezes, ter um espelho para trabalhar estas questões também é interessante, as crianças gostam de se ver a fazer estas caretas). Podes ainda fazer cartões com diferentes expressões para imitar e podem imitar à vez, por exemplo.
  • Chapéu/Caixa/Caldeirão Mágico: nessa caixa podes colocar imagens ou frases de coisas engraçadas e “estapafúrdias”, por exemplo: podes colocar um pé que cheira a chulé, e quando o tiras da caixa, pode fazer suspense “o que será que vai sair daqui?”(com uma expressão exagerada) e quando tiras fazer uma expressão de nojo exagerada e dizer algo como “bleeeee, tirei um pé que cheira a chulé, ai que cheirete” e fingir que cais para o chão com o mau cheiro.  A ideia é exagerar nas expressões faciais e corporais para nos tornar bem apelativos e ter a atenção das crianças 
  • Moldura do desenho animado: podes fazer uma moldura com a cara e corpo do desenho animado que a tua criança gosta e recortar o espaço da cara para colocar a tua e depois brincar com as expressões do desenho, por exemplo: “agora o panda está contente (e fazer a cara contente), agora está assustado (e fazer a correspondente), mais tarde podes solicitar que seja a tua criança a ter de adivinhar.
  • O que a personagem está a sentir?: aproveitar os desenhos animados, filmes ou programas que vêm na televisão para explorar esta área. Por exemplo, se vêm o The Voice e há um concorrente que perdeu, podem perguntar à criança, “Como achas que ele se sente?”, “Como é que percebes que ele está triste?”, “O que é que ele poderia fazer para se sentir melhor?” etc –  o mesmo é válido para outros programas ou desenhos animados. E podem trazer essas situações para os teatros ou roleplays, por exemplo.
  • Explorar as emoções no dia-a-dia, com a criança e restantes membros da família: aproveitem as situações do dia-a-dia para explorar as emoções. Falem abertamente sobre as vossas emoções, partilhem situações do dia-a-dia que vos fizeram sentir diferentes emoções e promovam essa partilha por parte da criança também. Podem criar “a equipa de resolver desafios” e quando surge uma emoção mais difícil de gerir, todos dão ideias de coisas que podem ajudar nessa situação.
  • Puzzle das emoções: Utilizando a ideia das fotografias, podem tirar fotografias à criança, expressando diferentes emoções. Depois podem imprimir em A4 ou A3, plastificar e cortar em peças de puzzle. E ficam com puzzles de emoções. Estamos novamente a utilizar uma motivação da criança (caso seja o caso).

A ideia é sempre a mesma: diverte-te enquanto trabalhas com a tua criança e recorre sempre as suas principais motivações!