O autismo não é uma doença, é um espectro da neurodiversidade, em que pessoas com cérebros que funcionam de forma diferente, apresentam um conjunto de características comuns, de desafios e de potenciais que diferem de pessoa com autismo para pessoa com autismo.

De forma muito resumida, as pessoas com autismo têm dificuldade na interação social e têm comportamentos repetitivos e exclusivos. Embora todas as pessoas com autismo partilhem determinados desafios, sentem-nos de maneiras diferentes. Algumas têm dificuldades na aprendizagem, outras na motricidade, na comunicação verbal, na socialização, etc. Assim, pessoas diferentes precisam de diferentes tipos de suporte, sempre adaptados a cada um.

Estima-se que cerca de 1% de todas as pessoas do mundo têm autismo, com variações em alguns países. Por exemplo, nos EUA rondam 1 em cada 54, pessoas, mas os números definitivos e as causas do autismo ainda não são conhecidas. O que sabemos é que afeta pessoas de todos os géneros, de todas as nacionalidades e origens culturais, religiosas e sociais.

A nossa crença, comprovada com a nossa atuação dos últimos 10 anos, é que todas estas pessoas podem ser ajudadas a viver uma vida com um maior bem-estar, autonomia e com a possibilidade de fazer as suas próprias escolhas.



Questões sensoriais

As pessoas com autismo podem experimentar excesso ou falta de sensibilidade a sons, ao toque, ao paladar, a cheiros, luz, cores, temperaturas ou dor.  Elas podem, por exemplo, fixar-se num som, que as outras pessoas ignoram ou bloqueiam, e que para elas é insuportavelmente alto ou perturbador. Além de extrema ansiedade, isto pode causar mesmo dor física. Podem também ficar fascinados por luzes ou por fazer rodar ou alinhar objetos, entre outras coisas. As questões sensoriais também incluem a noção interna do corpo, noção do seu próprio corpo no espaço, equilíbrio, etc.


Interação social

As pessoas com autismo podem ter dificuldade em “ler” outras pessoas – reconhecer ou compreender sentimentos e intenções dos outros – assim como expressar as suas próprias emoções. Isso pode fazer com que navegar pelo mundo social seja muito difícil para elas, podendo parecer ser insensíveis e solitárias.
Podem não procurar ajuda junto de pessoas próximas e parecer comportar-se de uma forma “socialmente desadequada”. Também pode ser difícil fazer amizades, mesmo que queiram fazê-las. Podem querer interagir com outras pessoas e fazer amigos, mas ter normalmente dificuldades na abordagem e na manutenção da amizade – nestas situações, o estigma da sociedade também não ajuda.


Interesses altamente focados

Muitas delas têm interesses intensos e altamente focados – hiperfocos-, muitas vezes a partir de uma idade bastante jovem. Estes interesses podem mudar ao longo do tempo ou manter-se ao longo da vida, e podem referir-se a qualquer coisa desde arte ou música, comboios ou computadores. Os interesses podem, às vezes, ser bastante incomuns.
Muitas canalizam o seu interesse para o estudo, para o trabalho, para o voluntariado, ou para outras ocupações significativas. Pessoas com autismo relatam frequentemente que o exercício de tais interesses é fundamental para o seu bem-estar e felicidade.


Comunicação verbal e não-verbal

As pessoas com autismo podem ter dificuldades para interpretar linguagem verbal e não-verbal, como gestos ou inflexões na voz. Muitas têm uma compreensão literal da linguagem e tudo que ouvem é interpretado como verdade absoluta. Para as pessoas com PEA pode ser difícil usar ou compreender expressões faciais, tom de voz, piadas e sarcasmos.
Algumas pessoas podem não falar, ou podem ter um discurso limitado e podem ter dificuldades com a imprecisão ou com conceitos abstratos. Por vezes, usam meios alternativos de comunicação, como a linguagem gestual ou símbolos visuais (PECS).
Muitas têm um vocabulário rico e conseguem expressar-se por frases, mas podem ter dificuldade para entender as expectativas dos outros durante as conversas, acabando por repetir o que a outra pessoa acabou de dizer (chama-se ecolália) ou falando sem parar sobre os seus próprios interesses. Podem ter dificuldades em perceber os cilcos de conversação ou como iniciar uma conversa.
Muitas vezes ajuda se falamos de uma forma clara, consistente e se lhes dermos tempo para processarem o que foi dito e para formularem a sua resposta.


Comportamento repetitivo e rotinas

O mundo pode ser um lugar muito imprevisível e confuso para as pessoas com autismo, por isso é que muitas vezes preferem ter uma rotina diária de modo a que consigam prever o que vai acontecer todos os dias.  Podem querer ir sempre pelo mesmo caminho para a escola/trabalho; sentar-se sempre no mesmo local no autocarro ou local de almoço, ou comer exatamente a mesma comida ás refeições.
As pessoas com autismo podem não se sentir confortáveis com as mudanças, mas podem aprender a lidar melhor com as alterações, melhorando a sua flexibilidade.
Muitas vezes, apresentam comportamentos repetitivos – também chamados estereotipias ou “stims” – que ajudam na sua autorregulação emocional/sensorial. Da mesma maneira que outra pessoa clica vezes sem fim numa caneta, mexe no cabelo ou abana a perna, a pessoa com autismo pode exibir comportamentos repetitivos como abanar as mãos, balancear-se, fazer determinado som, mexer em determinado objeto – o importante é sabermos que isto ajuda no seu bem-estar e equilíbrio.


CAUSAS

A causa do autismo está ainda a ser investigada.  A investigação sobre as causas sugere que pode existir uma combinação de fatores – genéticos e ambientais – que podem ser responsáveis pelas diferenças de desenvolvimento. O autismo não é causado pela educação de uma pessoa, nem são as circunstâncias sociais a causa da condição da pessoa com autismo.
Interessa também realçar que os pais não têm qualquer responsabilidade no autismo dos seus filhos. É uma condição que pode surgir em qualquer criança sem quaisquer antecedentes familiares e que deve ser aceite como uma diferença num mundo em que todas as pessoas são diferentes.  

Existe uma cura?
Não há uma “cura” para o autismo. No entanto, há uma série de estratégias e abordagens – métodos que viabilizam a aprendizagem e o desenvolvimento – e que os pais, profissionais e outros cuidadores podem encontrar para ajudar no desenvolvimento da pessoa com autismo, diminuindo as suas dificuldades e promovendo o seu potencial e inclusão.


DIFERENTES DIAGNÓSTICOS

Até recentemente, dentro do espectro do Autismo encontramos diferentes rótulos e diagnósticos: Autismo, Perturbação do espectro do autismo (PEA),  Autismo clássico, Pervasive Developmental Disorder (PDD), Autismo de alto funcionamento (HFA – High Functioning Autism) e Síndrome de Asperger.  Devido às mudanças recentemente efectuadas na terminologia, actualmente, “Perturbação do espectro do autismo – PEA” ou Autism Spectrum Disorders (ASD) é conceito que se utiliza, podendo depois ser especificado consoante o nível de suporte necessário (1, 2 ou 3)

COMO A VENCER AUTISMO ENTENDE O AUTISMO

Acreditamos que, com ou sem autismo, todas as pessoas são únicas e é essa singularidade que torna tão rica a espécie humana. O grande problema é o estigma associado ao autismo. Muitos pais, professores e até terapeutas muitas vezes não entendem o autismo, o que impede a sociedade de reconhecer que, com conhecimento, amor e as ferramentas adequadas a cada caso, as pessoas com autismo podem ultrapassar dificuldades, ter uma vida com maior bem-estar, incluídas socialmente e onde o seu potencial é valorizado também. 

Por isso, o nosso modelo de intervenção base inclui Palestras, Workshops, Masterclasses e Mentorias, que promovem a partilha de conhecimento, técnicas e estratégias específicas para todos aqueles que contactam, direta e indiretamente, com pessoas com com autismo, contribuindo assim para o máximo desenvolvimento do potencial de cada pessoa.

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